A informação cultural

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Conservando História e Cultura

Há algum tempo, o exercício profissional tem me direcionado para a área de restauro. Inicialmente com a preocupação inerente da manutenção de nossas raízes, tradições e do ambiente construído, sem esquecer do ambiente natural, pois são imagens vivas, ricas e possibilitam a constante interpretação do nosso cotidiano.

Depois, o crescente contato e envolvimento com a labuta diária na Secretaria de estado da Cultura e a equipe Pró-Memória em reuniões, planejamento, palestras, mesas redondas, ações e participações nos programas itinerantes, denominados Governo no Interior, onde observamos “in loco” e realizamos levantamentos e cadastros. Sempre orientados pelo Secretário Alberto Leão, que de maneira didática serve-nos como referência maior.

Todavia, as discursões giram em torno do que é restauração e do que não é, cada vez que nos deparamos com intervenções em prédios históricos, algumas totalmente sem critérios.

De que modo devemos preservar os monumentos arquitetônicos e culturais? Como levar adiante o ônus da conservação deste patrimônio, se advém deles, além do prazer e da convivência; algumas vezes a despesa constante e o trabalho que parece infindável da restauração?
Conservar, restaurar, manter, cuidar, proteger e intervir sempre e nunca reformar ou descaracterizar!
Evidenciar alguns pontos é questão de suma importância: primeiro reporta-se ao fazer; como efetivar o restauro: deve-se buscar a realização de um trabalho de conservação baseado na história e nos padrões absolutamente condizentes com a obra em foco, o monumento em sua essência máxima.

Outro aspecto fala direto ao uso do monumento em condições atuais de bem estar e conforto: dispomos de soluções conteporâneas como elétrica; hidráulica, telefonia; computadores; condicionadores de ar; banheiros e cozinhas dentro do imóvel; além de rampas e até elevadores.
Invariavelmente, muitos se privam do prazer de uso de uma edificação histórica, imaginando que deva essa ser transformada em um objeto de uso contemplativo, isto é, algo como um museu ou variantes, aberto de forma passiva à visitação. Entretanto em outras localidades onde o usufruto do patrimônio histórico é celebrado há mais tempo do que em nosso país, como exemplo a Europa, dado o uso normal ter continuidade em função das necessidades (sejam urbanas ou rurais) de: comércio, moradia, educação, restaurantes e outros serviços.

Afirmo ainda, por conhecimento, que não deixamos a dever em termos de exemplares, a nenhum lugar do mundo; pois temos belas construções em formas e proporções e até arrojos da técnica. Contudo, é no campo do comportamento que ainda engatinhamos, não tomamos como ovo uma atitude preservacionista e única em relação aos nossos bens.
Precisamos conhecer mais, amar mais ao imóvel, saber a que se destinou originalmente, porque marcou época, e a nova educação com um profundo respeito e pesquisa bem fundamentada.
É imprescindível que se conserve não apenas o monumento, mas a linguagem do entorno, seja construção isolada ou reforçada por um conjunto.

Nesta linha de pensamento desenvolver-se-ão propostas de reedição de padrões apropriados, levando-se em conta importantes tópicos como: a) idade do imóvel; b) estado de conservação; c) histórico, razões e características; d) rigorosa propecção dos detalhes arquitetônicos; e) qual o novo uso pretendido; f) quais as adequações projetuais necessárias (hidráulica, elétrica, lógica, climatização, telefonia, pára-raios, rampas e elevadores); g) qual a verba disponível, eventuais parceiros e cronograma; e consequentemente caminhar para a execução do projeto.

O sítio histórico é um prolongador da existência de nossa identidade cultural. Para preservação da memória viva, vamos apoiar, incentivar e esclarecer o quanto é possível colaborar e incentivar a constante manutenção do acervo patrimonial edificado.

Roberto Costa Farias
Arquiteto e Urbanista


faleconosco@tudoalagoas.com.br

 

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