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Banda de Pífanos Esquenta Muié, de Marechal Deodoro, participará de encontro nacional de pífanos em Brasília Na próxima terça, dia 11 de agosto, a Banda de Pífanos Esquenta Muié, de Marechal Deodoro, estará se apresentando no evento Epifanias que acontecerá no mês de agosto sendo inteiramente dedicado à cultura popular, no Centro Cultural Banco do Brasil. Epifanias, que terá oito shows semanais iniciados nesta última terça, dia 04, sempre às terças-feiras. A cada semana serão duas apresentações, uma às 13h e uma às 21h.
A ideia é do curador e idealizador do projeto, Alexandre Pimentel, que pretende traçar um painel sobre o pife ou pífano, instrumento utilizado em diversas manifestações musicais da cultura popular brasileira e que vem, pouco a pouco, resgatando e ampliando seu papel nas mais diferentes formações musicais. “Buscamos promover um encontro entre os mais significativos grupos e tocadores em atividade no país que desenvolvem trabalhos que tenham o pífano como instrumento fundamental”, afirma Alexandre. Entre os convidados de Epifanias estão os experientes Carlos Malta e Pife Muderno e Egildo Vieira, o grupo de jovens Flautins Matuá e algumas tradicionais bandas de pífanos do Ceará, Alagoas e Pernambuco, entre outros. “Com este projeto, pretendemos dar continuidade ao trabalho de pesquisa que desenvolvemos sobre as origens e a importância de alguns instrumentos populares em nossa música, as suas diversas utilizações, as diferentes composições formais e regionais”, completa Alexandre, que também esteve à frente dos projetos Viola Brasileira (CCBB RJ/2000), Rabequeiros (CCBB RJ/2002) e Artesania Sonora (CCBB SP/2006).
Epifanias Epifanias - do latim “epiphania” e do grego “epipháneia”. Significa aparição, manifestação divina, ou ainda festividade religiosa com que se celebra essa aparição. Sobre o instrumento e as bandas de pífano: O pífano é um tipo de flauta, geralmente feito de taquara, ou taboca (espécie de bambu), mas que também pode ser de metal, osso de animais ou mesmo de PVC. É encontrado em três tamanhos: o chamado régua inteira, o três quartos e o meia régua. O som do pífano muda de acordo com o tamanho. Cada pífano tem, geralmente, sete orifícios, sendo seis para os dedos e um para os lábios (sopro). O segredo, tanto da confecção quanto da execução do instrumento é passado de pai para filho. Alguns autores remontam as origens do pífano à herança indígena. Outros à época dos primeiros cristãos, que tinham no instrumento uma maneira de saudar a Virgem Maria nas festas natalinas. Na feição nordestina, a banda de pífanos é uma criação do mestiço brasileiro, que com sua criatividade e intuição musical adaptou o instrumental, dando-lhe a forma típica pela qual é conhecida. A banda de pífanos é um conjunto instrumental de percussão e sopro, dos mais antigos, característicos e importantes da música de tradição popular no Brasil. Por toda a região Nordeste do Brasil e nos estados de Minas Gerais e Goiás são usados vários termos para denominar o conjunto: Banda de Pífanos, Banda de Pife, Música de Pife, Zabumba, Cabaçal, Esquenta-Mulher, Banda de Negro, Terno, Banda de Couro (Goiás), Musga do Mato, Pipiruí (Minas Gerais). Assim como a sua denominação varia, a sua composição também tem sensíveis diferenças, mas seus instrumentos básicos são dois pífanos, um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba. Em Pernambuco, normalmente é composta por dois pífanos, uma caixa, um bombo, um surdo e um tambor. Em Alagoas, além dos instrumentos básicos acrescenta-se um par de pratos e em certos grupos um triângulo e até um maracá – espécie de chocalho indígena – para maior sonoridade. No Ceará, geralmente também acrescenta-se prato e triângulo e em Sergipe o triângulo e o ganzá. Em Goiás, a Banda de Couro, com é chamada é composta por bombo, caixa ou tarol e viola. Epifanias – De 4 a 25 de agosto, às terças-feiras, às 13h e às 21h. Ingressos para a sessão das 21h: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia). Sessão das 13h, grátis. Informações: (61) 3310-7081 Assessoria de imprensa: Tátika Comunicação e Produção (61- 3349-3100/ 3274-2190) Evento livre para todos os públicos Programação 04 de agosto Carlos Malta e Pife Muderno (RJ) Participações especiais: João do Pife (PE) e Zabé da Loca (PB) 11 de agosto Banda de Pífanos Esquenta Muié (AL) Participação especial: Egildo Vieira (PE) 18 de agosto Banda de Pífanos de Caruaru (PE) e Grupo de Pífanos Flautins Matuá (SP) 25 de agosto Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto (CE) e grupo Ashaninka do Rio Amonia (AC) Convidados Carlos Malta e Pife Muderno – Compositor, arranjador, flautista e saxofonista, o carioca Carlos Malta apresenta-se com seu grupo Pife Muderno. Malta formou Pife Muderno em 1994, depois de começar sua carreira solo deixando a banda do multi-instrumentista Hermeto Pascoal. O grupo reúne outros cinco músicos com carreiras distintas (a flautista Andréa Ernest Dias e os percussionistas Marcos Suzano, Oscar Bolão, Durval Pereira, Bernardo Aguiar) e faz uma leitura contemporânea de bandas de pífanos nordestinos e possui dois CDs lançados: Pife Muderno, onde explora a sonoridade das bandas de pífano, e Paru, onde presta homenagem a um falecido cacique dos Yawalapitis, grupo indígena do Alto Xingu. João do Pife – João do Pife aprendeu a fazer pífanos e a tocar com seu pai, que aprendeu com seu avô. Desenvolve aos 63 anos, a arte de produzir e tocar pífano. Incansável, dá aulas para alunos de 10 anos a 60 anos, vende seus pífanos na tradicional Feira de Caruaru e ainda arruma tempo para animar bailes no Brasil e no mundo, tocando com a Banda Dois Irmãos, fundada pelo seu pai, em 1928. Já se apresentou em Portugal, Itália, França, Inglaterra, Alemanha, Canadá, Estados Unidos e Japão. No Brasil, já tocou por diversas vezes na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mesmo depois de tantos anos de estrada, só recentemente lançou seu primeiro CD. O disco leva o mesmo nome da banda, na qual João do Pife e mais cinco integrantes desfilam ritmos como baião, forró, xote, chorinho e marcha. Zabé da Loca – A Isabel Marques da Silva tornou-se conhecida como Zabé da Loca por morar 25 anos numa loca (gruta). Natural do município pernambucano de Buique. Retirou-se do sertão pernambucano para a Paraíba ainda menina. Conheceu a musicalidade ainda muito cedo, aos sete anos de idade, com o irmão Aristides. Passou a vida entre o trabalho com a enxada e o ofício do pífano. Com grandes dificuldades financeiras, ao ter sua casa desmoronada, Zabé foi morar com a família sob duas pedras na Serra Tungão, permanecendo lá por 25 anos. Após um longo período parada sem fazer apresentações, voltou a ativa com o lançamento de seu primeiro CD pela Série Cantos do Semi-Árido, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Em 2007 lançou seu segundo CD, com direção musical de Carlos Malta. Mora atualmente no assentamento Santa Catarina, município de Monteiro, sertão da Paraíba, distante 322 quilômetros de João Pessoa. Banda de Pífanos Esquenta Muié (de Marechal Deodoro/AL) – A banda foi fundada em 1978 por José Cícero da Silva, maestro da mesma, é uma das grandes referências da cultura popular alagoana. A Banda de Pífanos Esquenta Muié é natural da cidade de Marechal Deodoro, cidade que reúne importantes grupos ligados à diversas tradições populares no estado de Alagoas. Em 2003, depois de gravar alguns LPs, a banda gravou e lançou o CD Sonho de Criança. Em 2008 o grupo lançou ainda seu primeiro DVD. Egildo Vieira – Flautista e tocador de pífanos, participou do extinto Quinteto Armorial, principal grupo musical do Movimento Armorial, liderado pelo escritor Ariano Suassuna nos anos 70. Egildo foi um dos responsáveis pela integração de ritmos populares ao trabalho do grupo. Nasceu em Piranhas, interior de Alagoas, mas mora há vários anos em Recife, onde dá aulas, promove apresentações e inventa e constrói instrumentos como o “marimpífano”, uma mistura de pífano com o marimbau, instrumento bastante tocado no passado nas feiras nordestinas. Banda de Pífanos de Caruaru – Formada em 1924 por Manoel Clarindo Biano (ainda no sertão de Alagoas antes de se mudar com a família para Caruaru, interior de Pernambuco), teve sua tradição continuada pelos filhos de Manoel, Benedito Clarindo Biano e Sebastião Biano. Mesmo com a morte de Benedito em 1999, a Banda de Pífanos de Caruaru continua na ativa e é hoje um dos grupos instrumentais mais tradicionais do Brasil. Os primeiros discos foram gravados em 1971, quando a banda foi para o Rio de Janeiro e fez shows. A sonoridade única da banda, composta por pífanos e percussão, foi descoberta por alguns astros da MPB, como Gilberto Gil, que gravou Pipoca Moderna (com letra de Caetano Veloso) em seu disco Expresso 2222, de 1972. Em 1999, a gravadora Trama lançou um CD da Banda de Pífanos, Tudo Isso É São João, com repertório basicamente junino, o que nunca foi a característica principal do grupo. Grupo de Pífanos Flautins Matuá – Surgido na Unicamp, iniciou suas atividades no início de 2002 com um grupo de universitários, que em folgas acadêmicas se encontravam na praça do Ciclo Básico para trocar melodias, cantos, partituras, ritmos entre outras experiências musicais e cênicas. Em 2003, o trabalho ganhou objetivos e propostas, novos flautistas interessados em estudar o pife e um grupo de percussionistas interessados em desenvolver pesquisas relacionadas aos ritmos brasileiros. Atualmente o Grupo de Pífanos Flautins Matuá é composto por nove tocadores de pife e cinco percussionistas, que buscam o pluralismo musical e cultural, inspirado em manifestações populares brasileiras. O grupo integra pessoas das mais diversas áreas do conhecimento, e de diversas regiões do país, caracterizando, um movimento contínuo de pesquisa, releitura e criação no âmbito da cultura popular. Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto – Fundada ainda no século XIX, por José Lourenço da Silva (o Aniceto), desde então, vem sendo tocada por seus amigos, filhos e netos, todos agricultores de Crato (CE). Com uma performance única que mescla intuição com modos ancestrais de dançar e imitar animais, aprendidos com as gerações indígenas da família, o grupo apresenta danças e trejeitos bem particulares que os diferencia de qualquer outra banda. Já se apresentaram ao lado de Hermeto Pascoal e do Quinteto Violado e, em 1998, participaram do espetáculo Ciranda dos Homens, Carnaval dos Animais, do coreógrafo Ivaldo Bertazzo. Possuem três registros fonográficos: um disco compacto pelo Ministério da Educação e Cultura (1978), um CD lançado pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, através do Projeto Memória do Povo Cearense (1999) e Forró no Cariri. Em 2009 os Aniceto lançaram um DVD, gravado conjuntamente com a orquestra Eleazar de Carvalho. Grupo Ashaninka do Rio Amônia – Os Ashaninka são uma etnia presente na Amazônia brasileira e peruana. No Brasil, estão divididos em três terras: Rio Envira, Rio Breu e Rio Amônia. Entre os instrumentos musicais, os Ashaninka destacam os tambores (tãpo), um arco de boca (o pionbirentsi) e as flautas, como a showirentsi, que se aproxima mais do pífano, o sõkari, e o tutama, flautas composta por canos de bambu, amarrados com uma corda feita a partir da linha de algodão. O sõkari é geralmente tocado pelos homens mais velhos e tem uma simbologia importante. Os informantes contam que ele é usado para homenagear Pawa, divindade maior dos Ashaninka, e se distingue das outras flautas, como o showiretsi ou tutama que são tocadas em rituais ou simplesmente para dançar. A Terra Indígena Kampa do Rio Amonia foi demarcada em 1993, depois de uma luta iniciada nos anos 80. A Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) lançou em 2000 CD intitulado Homãpani Ashaninka, relançado em 2005. Contatos e informações com a banda de pífanos Esquenta Muié: Keyler Simões (82) 3032-0489 / 9971-4281 keylersim@hotmail.com Fotos: Reinaldo Silva e Keyler Simões
Postado em: 07 / 08 / 09
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