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Juarez Gomes de Barros já deixa uma marca em sua atual gestão a frente da Direção do Palco oficial do Estado de Alagoas – finalizar reforma e construção de anexo são os próximos passos
No dia anterior ao seu aniversário, quando o Teatro Deodoro completa 98 anos, foi assinado pelo governador Teotonio Vilela o decreto de Tombamento estadual do prédio que abriga o palco oficial do Estado de Alagoas. Além do tombamento, Vilela , acompanhado pelo secretário Estadual de Cultura, Osvaldo Viégas, e do Diretor –Presidente do Teatro, Juarez Gomes de Barros, fez uma visita técnica ao prédio que teve seu projeto de restauração, orçado em R$ 2 milhões, abrangendo uma restauração total do prédio, como a prospecção da pintura, estrutura física, hidráulica, elétrica e técnica, além da recuperação do imobiliário.
Governador durante a visita técnica A proposta de tombamento do prédio foi apresentada em março deste ano, pelo diretor de Teatros do Estado de Alagoas, Juarez Gomes de Barros, na reunião do Conselho Estadual da Cultura, e foi aprovada por unanimidade. O processo de tombamento está de acordo com a Lei nº 4.741, de 17 de dezembro de 1985, e a proposta traz como argumentação os valores artísticos e históricos do prédio, além da chamada “apropriação” da comunidade — a importância do patrimônio para o público alagoano como patrimônio cultural.
Para Juarez Gomes de Barros, o Teatro Deodoro, de arquitetura eclética e com elementos do neoclássico, em 2010, quando completa 100 anos, será muito mais que uma bela casa de espetáculo, mas um teatro com a história cultural restaurada.
O secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, frisou que o ato tombamento não é uma solução para os problemas de preservação dos prédios históricos do Estado, mas é uma ferramenta para alavancar recursos e para desenvolver mais atividades culturais em Alagoas. “O Teatro Deodoro é um bem cultural dos alagoanos”.
Em junho de 1905 foi lançada a pedra fundamental do teatro, cujo projeto é de autoria do arquiteto italiano Luiz Lucariny. Cinco anos depois, em 15 de novembro de 1910, quando o país celebrava os 21 anos da Proclamação da República, o espaço foi inaugurado. O tombamento marca uma nova época para a casa de espetáculos.
Téo Vilela assinando decreto de tombamento do Teato Deodoro
Em seu discurso na solenidade, Juarez Gomes de Barros, falou: “O tombamento estadual desta casa pela primeira vez foi encaminhado ao governo, por mim em 1990, quando na minha primeira gestão no Teatro Deodoro, há 18 anos, assim que iniciei a reforma que até hoje rola pelos trilhos do tempo, no passado, parando na estação da política, na estação da vaidade, na estação do descaso, na estação da mentira, na estação da inveja e do desrespeito. E pensam ainda que tombar significa apenas preencher um papel com palavras incompreensíveis e festejar, roubando literalmente o sentido exato, o sentido maior, o sentido estrito do que realmente seja tombar. Tombar não é inventariar às pressas alguma coisa que está por cair. Tombar é sentir o campo de obra e sujar-se no dia-a-dia com a poeira. Em setembro, fomos à Brasília e conseguimos quase R$ 5.000.000 (cinco milhões) junto ao ministro Juca Ferreira. Também assinou in loco os R$ 1.500.000 (um milhão e meio) de contrapartida do Estado para que o projeto existisse. Já estamos em processo de desapropriação do terreno anexo ao Teatro de Arena, e já repassamos o complemento financeiro que viabiliza os projetos estruturais da obra. Pessoalmente, semana que vem, levarei pronto, prontinho, o projeto ao MINC, para que de maneira nenhuma se extravie pelo meio do caminho. Por que abordar o tema “Escola de Arte e Conservatório do Teatro Deodoro” logo no dia do tombamento do Teatro Deodoro? Porque sem ela (a escola) o tombamento do Teatro Deodoro ficaria incompleto”, finalizou.
Alguns artistas estiveram presentes à solenidade de tombamento e alguns se manifestaram a respeito: Leureny Barbosa, cantora: "Meu afeto com o Deodoro é enorme, foi o primeiro palco em que pisei e também o primeiro no qual fui premiada. Aqui, para mim, a emoção é sempre maior".
Marta Melro, museóloga: "O Deodoro é um sinalizador e perpetuador da memória da Maceió dos anos 20, quando a região da Praça Deodoro parecia uma pequena Paris. Manter essa memória, além de ser um presente ao povo, é uma medida necessária".
Ronaldo de Andrade, ator: "O tombamento é muito oportuno porque ele preserva as características arquitetônicas e dá maior respeitabilidade ao templo da cultura que é o Deodoro, que já foi tristemente vilipendiado".
Tânia Maia Pedrosa, pintora e colecionadora: "Tudo em relação à cultura que tem uma dinamização merece ser valorizado. Para mim e, principalmente, para o povo, a atividade cultural do teatro Deodoro é importantíssima".
Lula Nogueira, artista plástico: "Aqui no Deodoro a história cultural do Estado é contada, nada mais justo que ele seja tombado e restaurado. Tenho especial simpatia pela galeria Miguel Torres, um espaço que, apesar de pequeno, é muito agradável para exposições".
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