Vantagens e desvantagens: caminhos de escolhas


A vida é uma caixinha de surpresas que a exemplo dos movimentos da terra nos coloca num ciclo constante. A cada passo desse giro somos surpreendidos com situações que nos direcionam a determinados caminhos. Caminhos que precisam ser escolhidos, tomados pela ação de realizá-los. Ao certo não saberemos quais seriam as vantagens e desvantagens dessa ou daquela escolha. Cabe parar e analisar o sentimento e a emoção que nos move. O bem estar de um indivíduo pode não ser atrelado a um bem social, mas como o ser humano não é um continente isolado, juntos podemos ser mais eficientes em almejar a utopia de uma sociedade equilibrada que usufrua, inclusive, da sua história e cultura plenamente. O reflexo de pensar enquanto parte de um todo faz com que o sentimento de comprometimento em atingir uma satisfação pessoal seja compartilhado e multiplicado. A questão é como a escolha de cada um corrobora ou não com vantagens e benefícios à nossa vivência. Pensar ecologicamente, é antes de qualquer coisa, assumir uma postura diante do mundo e das coisas que acontecem ao nosso redor, não dá mais para “empurrar com a barriga” e não tomar as rédeas da nossa vida. A atitude de passividade que predomina na comunidade fez com que muitas das nossas memórias fossem se perdendo ao longo dos anos: as nossas praças foram sendo depredadas (as árvores, nem se fala), edifícios relevantes para a história foram demolidos, manifestações populares estão sendo esquecidas e os nossos referenciais... Bem, a escolha pode ser a de viver o presente, livre e independente de quaisquer vínculos do passado, por que não? Resta-nos saber se conseguiremos um futuro melhor, harmonioso... Como seriam os valores, por exemplo, dessa sociedade sem memória? Onde não há transmissão de saber, nem repasse de conhecimento?

Sabe-se que as doenças que degeneram o hipocampo – parte do cérebro que permite a retenção das lembranças – provocam a amnésia e que sem memória o indivíduo perde o fluxo de consciência do tempo. Preso em um limbo do eterno presente, entre um passado que não pode recordar e um futuro que não pode imaginar. Imaginar-se nessa situação pode ser revelador. Em muitas culturas existem tratados e longas tradições de treinamento da mente a fim de preservar a memória. O Talmude judaico, transmitido oralmente por séculos, os tradicionais Griots da África Ocidental e os bardos das regiões eslavas meridionais que narram de cor epopéias colossais e ainda uma divindade grega Mnemosine, a personificação da memória frente aos perigos do esquecimento, defendem a manutenção de um sentimento que deixa registrado no inconsciente a sensação de conforto e tranqüilidade. Se os que sofrem desse “mal” anseiam pela descoberta da cura imaginamos que “habitar” esse universo desprovido da consciência do tempo e conseqüentemente da memória, também não é a melhor escolha.

Para nós a vantagem ainda está em aprender e apreender a vida através das vivências passadas e transmitidas, de preferência, pelos que se transformaram em referenciais.

Ariana Moraes – Arquiteta Especializada em Meio Ambiente
Adriana Guimarães – Arquiteta Especializada em Patrimônio

 

Postado em: 27/01/08

 

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