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Tororó do
Rojão

Com
40 anos de carreira dedicada ao verdadeiro forró, com irreverência
incomum: “NÃO EXISTEM DOIS TORORÓ NO MUNDO
SOMENTE UM, EU” Com esta frase Tororó do Rojão
sintetiza em poucas palavras o que ele representa no universo cultural
do Brasil.
Com 3 vinis, 01 compacto, 01 CD e várias participações
em discos e CD’s pelo Brasil a fora, Tororó do rojão vem
reconquistando seu público que se estende dos 8 aos 80 anos.
Trabalhou com Luiz Gonzaga o Rei do Baião de quem se recorda até hoje
com um grande saudosismo “ALI! SIM! ERA UM GRANDE HOMEM” Autor
de grades sucessos como “BALANÇA MENINA”, “Ê MACEIÓ” E “SEU
Cuca É EU”. Sseu 2º cd TORORO DO ROJÃO SEM RETOQUE
, tem participação especial de CHAU DO PIFE.
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fotos em Galeria
Tororó
O Rojão que ninguém segura!
Irreverência, bom humor, talento e algumas vezes, mal criação,
são qualidades que poucos reúnem tão bem quanto Manoel
Apolinário da Silva, 64 anos de idade, mecânico aposentado da
Petrobrás, mais conhecido e carinhosamente chamado por Tororó do
Rojão. Homem de personalidade forte que nunca se casou e que tem três
filhos, vivendo hoje em dia com uma filha com quem mora e avô de seis
netos.
Tororó é um dos maiores forrozeiros autênticos do Brasil.
Faz de seu momento no palco a maior de suas diversões e ao mesmo tempo
a maior de suas responsabilidades. "Sempre cantei forró, começei
cantando Jackson do Pandeiro. Eu trabalhava na Petrobrás e pagava um
sanfoneiro pra me acompanhar, nos finais de semana, num bar na Avenida Duque
de Caxias." Conhecido por cantar fatos corriqueiros de Maceió,
já gravou várias músicas desse tipo que exaltam sua cidade,
como a Êh! Maceió:
Êh!
Maceió Êh! Maceió
Eu vou pra Guanabara e vou levar o meu xodó
Ê h! Maceió Êh! Maceió
Eu lá sinto saudade da sereia do major
Sinto
saudade lá da Praia do Pontal
Lá da Praia do Sobral e da lagoa Mundaú
Sinto saudade do prato delicioso
Daquele pirão gostoso do caldo do sururu
Em
1993, durante uma apresentação especial dedicada aos
músicos da Orquestra de Câmara de Moscou, ganhou uma denominação
dos russos: Chaplin do Forró.
Tororó, segundo ele próprio, canta há mais de trinta anos.
O primeiro compacto gravou no final dos anos 60. Gravou com Osvaldinho (Segura
Menino) e Nelson do Acordeón. Em 2000 lançou o seu primeiro CD "O
Povo Não Quis Acreditar", totalizando quatro trabalhos gravados.
O disco anterior Segura Menino, foi lançado há 20 anos, em 1981,
e a música título ainda é tocada até hoje em programas
de forró em rádios de Maceió. Tororó trabalhou
por 17 anos como mecânico na Petrobrás, em Maceió.
"Segura
menino, no balanço do Ganzá, o coco nordestino que eu
vou apresentar.. esse coco nasceu lá em Alagoas, nunca vi terra
tão boa de gente legal..."
Tororó do
Rojão começou sua carreira no programa de Odete Pacheco,
na antiga Rádio Difusora, quando situada onde hoje é o
prédio da Secretaria de Estado da Cultura, na Rua Pedro Monteiro,
no centro. "Foi nessa época que um camarada começou
a me apresentar como Tororó do Rojão e o pessoal começou
a me chamar de Tororó... eu não gostei, mas aí pegou
e o Lauteney, empresário, me registrou assim. Hoje há pouco,
eu descobri que Tororó é um bairro de Salvador que tem
um rio forte que passa por lá. Os radialistas Ferreira Júnior
e Stênio Reis me deram muito apoio no início da minha
carreira."
Natural do povoado de Bateria, em Matriz do Camaragibe (AL), veio pra Maceió com
10 anos de idade: Quando uma senhora (Dona Nadir Pantaleão) o viu jogando
bola, lhe perguntou se não queria vir pra Maceió trabalhar na
casa dela. Sua mãe falou com ela e o jovem Manoel veio pra Maceió morar
na Rua Barão de Penedo, 298, centro, próximo a Praça Deodoro. "Foi
quando os meninos que jogavam na praia me pegaram e jogaram dentro d´água.
Fui pra casa chorando e a Dona Nadir riu e disse que aquilo era o batismo que
eles me deram."
" Só sou mal criado pra receber dinheiro"
"Sempre
gostei de ouvir no rádio o Jackson do Pandeiro. O primeiro cantor
que eu vi foi Luiz Gonzaga"
"O
Jacinto Silva (falecido recentemente) era mais do que um amigo, era
um irmão. Quando ele vinha pra Maceió sempre ficava lá em
casa. Eu tinha dois irmãos: o Antônio e o Benedito, que
já morreram. Agora tô só"
Tororó tem
orgulho em dizer que sempre morou na Avenida Comendador Leão,
onde vive até hoje.
" Só fui morar fora de Maceió quando Luiz Gonzaga mandou me
chamar pra ir gravar com ele um disco, lá no Rio de Janeiro, em 1962.
Fui morar na casa dele, na Ilha do Governador. Trabalhei como motorista de 'seu'
Luiz e toquei com ele por três meses e aprendi muito com ele. Sempre me
tratou, e ao resto da banda que tocava com ele, com muito respeito. Só andava
em ambiente bom, conheci muita gente boa e importante. ''Seu" Luiz sempre
foi bem humorado, mas era bom que ninguém bebesse sem falar com ele...
que muitas vezes ia beber com a gente. Quem fez o triângulo daquela música "Ovo
de Codorna" fui eu: 'Eu quero ovo de codorna pra comer... o meu problema
você tem que resolver...' ".
Como foi a época em você trabalhava em casa de madame e que lhe
rendeu um apelido...
Tororó: É... me chamavam de Mané da Cachorra, mas não
foi só por isso, não. É que eu jogava muita bola, pobre
e muito piniqueiro, lá na Praça Deodoro. Em 53 a 55 fui até campeão
do Estado pelo Sport. Vencemos CSA, o Deodoro... todo mundo. Até hoje
tenho as faixas de campeão. Aí, o povo que me via jogando viu
quando eu levava o cachorro da Dona Nadir pra Praia da Avenida. Quando a rapazeada
descobriu, é que começaram a me chamar de Mané da Cachorra.
" Se eu for no Ratinho eu faço carreira..."
As letras de suas músicas sempre contam alguma história vivida
por você e de duplo sentido...
Tororó: É, tem uma, a "O Buraquinho do Fred", que o
pessoal não acredita que é verdade. O Buraquinho do Fred era
um bar, lá no Poço, que a turma se reunia pra um forró e
o bar era muito pequeno. Quando o Fred mudou o bar pra um lugar maior ele fechou.
Outra é o "Seu Cuca é eu". Tô fazendo uma música,
o "Forró Gay", em homenagem a essa rapazeada.
Como você vê o espaço que é dado para o artista alagoano?
Tororó: Hoje, em Alagoas, só querem contratar aquelas bandas
famosas de fora... não dão valor pra quem é daqui. Pra
eles (produtores e empresários de shows) eu não valho nada. O
problema é falta de apoio que o cantor da terra não tem. A gente
toca, na raça! Já toquei em Caruaru, Recife, Salvador... onde
eu chegar eu agrado... se eu não agradar.. Deus não vai estar
mais no céu porque foi ele que me deu esse dom... gosto de cantar, de
rir e de ver os outros rirem de felicidade.
Como você ver essa admiração que os jovens de hoje têm
por você?
Tororó: Eles dizem que eu sou bom... eu faço o meu trabalho sério. É no
palco que me sinto bem e tenho que tratar todo mundo bem... brinco muito porque
sou assim. O que me dá confiança é o público...
vocês é que me dão força quando falam de mim, me
aplaudindo... rolo no chão do palco e faço o que eu quiser porque
ali é meu lugar.
Qual o desejo que Tororó do Rojão ainda tem pra realizar?
Tororó: Meu sonho é me apresentar numa televisão... no
Faustão, no Ratinho, no Jô Soares... ir lá falar com eles
e representar meu Estado lá. Se eu for no Ratinho eu faço carreira...
no Gugu... na Hebe. Tororó tem até uma música que ele
fez para Hebe Camargo: "Hebe Camargo coisa mais linda, tenho uma coisa
pra lhe dizer... Hebe Camargo você é tão linda... eu sou
doidinho, gamadinho por você. Hebe Camargo e seus convidados, olhe o
SBT que todo mundo ver. Hebe Camargo eu estou lhe falando o Brasil inteiro é ligado
em você...."
Tororó é assim: um homem simples, mas muito determinado. Mais
um grande talento que precisa de apoio do poder público e dos empresários.
Tororó do Rojão não é uma promessa, é uma
realidade a quem devemos todo nosso respeito e admiração. Não
são muitos que têm a experiência e sua capacidade de "ganhar" um
público.
Postado
em: 02/07/07
faleconosco@tudoalagoas.com.br
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