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Temos
nos deparado com fragmentos de estórias, registros de vidas
e experiências que andaram jogados ao vento. Um mosaico cheio
de cacos com variadas formas, cores, sons e cheiros se descortina à medida
que os passos se aproximam da próxima esquina, da rua antiga,
da vizinhança batendo papo com as cadeiras na calçada.
Cada vez mais raras visões. O resgate da memória começa
quase como uma infindável terapia, pode vir através de
nossos bisavós, avós, pais, irmãos e amigos da
tenra idade. Ser tocado pela lembrança de fatos ainda tão
vivos na mente de nossos entes queridos é praticamente uma transmissão
telepática, um adicional ao DNA. Quanta riqueza de detalhes
se perde e ao mesmo tempo se tornam tão concretas ao ouvir entusiasticamente
seus pais narrando suas aventuras de juventude. Somos contadores de
estórias natos. Temos nossos princípios enraizados na
crença de histórias passadas por várias e várias
gerações desde que o mundo é mundo. Sábios
eram considerados àqueles que podiam deter o conhecimento das
palavras e sua missão era protegê-las e transmiti-las.
No avanço do tempo e novo milênio, as manifestações
tecnológicas camuflam a interação entre as pessoas.
O mundo está conectado. Internet, celulares, webcams...
Só não se “acha” quem não quer, mas
então por que as pessoas se sentem cada vez mais sozinhas? Por
que as pessoas idosas são excluídas das famílias?
Por que as crianças perderam seus referenciais? O contato físico
tem sido substituído pelas teclas que acessam o fantástico
mundo virtual. Viva a energia elétrica! Quando se desliga a
tomada ou acontece um blackout o mundo padece em stand
by e ficamos todos aflitos e ansiosos à espera da volta
da luz para podermos voltar a viver, voltar a interagir.
Acima,
Grupo Caçuazinho, de Piaçabuçu-AL que faz parte
de um trabalho de preservação Dona
Marinita. Última grande mestra do bordado "Bico Singeleza", Ariana
Moraes – Arquiteta Especializada em Meio Ambiente
Fotos: Keyler Simões Postado em 21/05/07
faleconosco@tudoalagoas.com.br
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