Nós
Relações e inter-relações


Foto: Gilvam Rodriguez

Existe um complexo sistema de tramas, redes, teias, nós que envolve a todos, nos mais variados aspectos da nossa vida. A visão segmentada foi apresentada com intuitos didáticos desde os primeiros passos da vida escolar, racionalizou nossa forma de pensar e vivenciar reduzindo a nossa visão de mundo aos efeitos da casualidade e do reducionismo. Interessante tentar buscar depois de tantos anos a raiz desse nó. Pensamos em Patrimônio como algo que está interligado à educação, cultura, meio ambiente, cidadania, sociedade... Alguém já tentou alguma vez desembaraçar um emaranhado de fios?! Imagine então que você tem esse fio nas mãos, mas na verdade ele não é um único fio e sim o resultado de outra trama com outros fios, transformando-se em fragmentos de um todo, onde só se consegue encontrar o significado completo quando estão todos alinhados, em sintonia. Cada parte perde seu sentido sem a outra. Unidos por nós, mesmos com cores distintas ou até com amarras feitas de diferentes maneiras, se complementam, nós que atam, ligam, enlaçam, atraem. Como entender as relações como algo que se contrapõe: o que liberta e desata também atrai e aprisiona? É preciso voltar a aprender o que é ser criança e descobrir com novos olhares o mundo que nos cerca. O vislumbre da natureza pela nossa cidade, que se reflete nas cantigas dos folguedos populares, remetendo-se aos ofícios e saberes, às formas de expressões artísticas e arquitetônicas. O que se deseja e o que, de fato, é preciso ter, é o complexo paradoxo de preservar em meio a um sistema de partes interdependentes que interagem e transformam-se mutuamente. O auto-conhecimento e o fortalecimento das relações pessoais através do repasse das lendas tradicionais feito pelos avós, pais, filhos e netos... Fragmentos do cotidiano e dos laços afetivos que nos amarram e também nos libertam... Metáforas de desejos e anseios em um contextualizado mundo globalizado... Projeções individuais... Convidamos você a ser criança de novo e juntos vamos ver, sentir, tocar a essência desse conjunto de significados ricos e ao mesmo tempo tão simples e tão ao nosso alcance, só é preciso estender as mãos e juntos desatarmos esse nó.



Foto: Keyler Simões


Apresentação do Guerreiro do Mestre Venâncio

Ariana Moraes – Arquiteta Especializada em Meio Ambiente
Adriana Guimarães – Arquiteta Especializada em Patrimônio

Postado em 09/04/07

 


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