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Pertencimento
Atire a primeira pedra quem nunca ficou indignado pelo corte de uma árvore, grande, frondosa e antiga, por onde você passava a caminho do trabalho. Ou por aquela casa meio abandonada que ficava ali naquela rua, que você sequer sabe o nome direito, mas acha linda e gostaria de vê-la pintada e restaurada, se transformar da noite pro dia num terreno baldio. Esse sentimento tem uma denominação: pertencimento, o despertar da consciência e comprometimento, inerente às relações sociais dentro de uma comunidade em benefício de um bem comum a todos. Interessante é perceber que em pleno século XXI onde evoluções tecnológicas e científicas começam a desenvolver a capacidade do toque virtual, o cidadão com todos os seus direitos e deveres adquiridos não se posiciona enquanto agente determinante do seu meio. O pertencimento vai muito mais além do que as paredes ou os muros que cercam uma propriedade privada ou a pracinha ou playground de um condomínio. Esse ato de se fechar para se proteger por trás de uma “aparente” sensação de segurança, vem transformando as formas de socialização e integração do ser humano com o seu meio. Cada um está, cada vez mais, cuidando do seu: sua casa, seu carro, sua família. O nosso passou a ser apenas um pronome composto sem maior alcance e força. O nosso patrimônio ainda está aí. É a nossa cultura popular, nossa natureza, nossas cidades e edificações, nossa memória, memória está que pode, e deve, ser coletiva.
O patrimônio cultural-ambiental alagoano é vasto na sua simplicidade e peculiaridade. Embora não “encha” os olhos da população em geral, provavelmente por não ser monumental e grandioso ou por não ter nenhum fato histórico/político memorável, faz parte da nossa história e como tal tem o merecimento de sua existência. Vale alavancarmos esse sentimento adormecido em prol de nós mesmos, nossos filhos e netos. E se são nossos, não adianta ficar esperando o governo, ou o órgão, ou a instituição, ou os profissionais de determinada especialidade, tomarem uma atitude séria, fiscalizar, punir. O ar que os nossos filhos e netos vão respirar, as memórias que eles terão da paisagem que os seus pais e avós vivenciaram são também, e acima de tudo, nossa responsabilidade. Cabe a cada um de nós valorizar e transmitir estes valores. Ninguém quer ter um vislumbre do futuro onde uma criança questiona o pai sobre o que é aquilo que ele está vendo na foto, e o pai responde: “É uma árvore filho, haviam muitas pela cidade.” Ariana
Moraes – Arquiteta Especializada em Meio Ambiente Postado
em 17/03/07
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