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Parque
Memorial Quilombo dos Palmares
Alagoas ganhará um parque
em homenagem à luta pela liberdade do negro no Brasil,
através de Zumbi dos Palmares, bem como à cultura negra

Conversamos
com a Coordenadora Geral do projeto do Parque, Patrícia Mourão,
que por anos se dedicou ao segmento turístico de Maceió e
Alagoas. Hoje, como Secretária Executiva do Instituto Magna
Mater (desde fevereirro de 2007), entidade responsável pelo
projeto do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, dá prosseguimento
ao trabalho que desenvolveu como Secretária Executiva de Proteção
e Defesa das Minorias, através de um trabalho que reúne
um levantamento e recuperação de uma importante parte
de nossa história, não só de Alagoas, mas do Brasil,
além de possibilitar a exploração turística,
com uma visão profissional e dentro de patamares aceitos em
todo o mundo, de um potencial turístico-histórico-cultural.
Assim é o que promete acontecer com o Parque que será inaugurado
em breve na Serra da Barriga, em União dos Palmares.
1. Depois de anos lidando com a área do Turismo,
você assumiu a Secretaria das Minorias em 2005
e
deixou no fim de 2006. Quais foram suas
maiores dificuldades?
A maior dificuldade foi enfrentar a falta de
“ organicidade” do governo : o papel principal de
uma secretaria de defesa e proteção das minorias
é garantir, através de articulações institucionais,
voz e espaço nos principais programas e ações de
governo para aqueles que são social e economicamente
marginalizados. Para isso, é necessário que os
secretários das diversas áreas tenham sensibilidade
e incorporem as demandas destes segmentos, como
parte das políticas publicas implementadas, de forma
sistêmica e orgânica . Entretanto, como existe uma
pratica de atuação estanque e desarticulada, os
resultados acabam sendo pouco expressivos e apenas pontuais.
Para mim, foi um grande desafio e um profundo aprendizado conhecer melhor
a realidade das pessoas socialmente vulneráveis. Pude constatar que apesar
de alguns avanços, ainda temos muito a fazer e conquistar. O caminho é longo
e a luta herculana!
2. A idéia de um parque memorial na Serra da Barriga
já se ouvia de você em diversas oportunidades, quando
você era a titular do Turismo Estadual, e estamos há poucos
dias dessa inauguração. Quanto tempo levou desde a
concepção do projeto até agora?
O projeto de um memorial na Serra da Barriga tem o tempo do tombamento
: mais de 20 anos. Por isso, considero que o Parque Memorial é o resultado
das varias idéias, tentativas e discussões ao longo desse tempo.
Entretanto, a concepção propriamente dita de ser um “Parque” e
a sua efetiva viabilização levaram dois anos.
3. O Instituto Magna Mater é o proponente desse
projeto perante o MinC? Foi uma forma de agilizar o projeto? Como
foi ele
foi viabilizado?
O Instituto Magna Mater é o proponente desse projeto perante o Ministério
do Turismo e a Petrobras. É importante ressaltar que estes recursos
não foram tirados de ações ligadas às questões
afro, que poderiam ter sido preteridas em beneficio do Parque. No caso do Ministério
do Turismo, os recursos oriundos da rubrica de “infra-estrutura turística” foram
viabilizados através de uma emenda do Senador Renan Calheiros.
Quando apresentamos o projeto em dezembro de 2005, o estado de Alagoas estava
inadimplente e consequentemente impossibilitado de firmar convênios com
o governo federal. Teríamos perdido os recursos se não fosse
através de uma ONG. Por outro lado, a Petrobras não faz convênio
com Estados, e sim com organizações não-governamentais
e/ou empresas. Só assim, o projeto pôde ser efetivamente viabilizado.
4. Que tipo de profissionais fazem ou fizeram parte da
elaboração
do projeto do Parque Memorial Quilombo dos Palmares?
São mais de de 60 profissionais envolvidos em todos o projeto – sem
contar os operários da obra (a maioria moradores da própria Serra)
e da confecção das placas de sinalização. Nossa
equipe é composta de consultores, pesquisadores, historiadores, turismologos,
produtores, artistas, artesões, engenheiros, arquitetos liderados pelo
Alex Barbosa e o núcleo de arqueologia da UFAL coordenado pelo Prof.
Scott Allen. É um projeto de uma certa complexidade, envolvendo uma
gama muito ampla de profissionais
5. O que encontraremos nesse memorial? No que ele consiste?
Basicamente, uma infraestrutura para receber o visitante formada
pelo primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana construído
no continente americano ; espaços de contemplação compostos
de equipamentos de áudio com as locuções do Carlinhos
Brown, da Chica Xavier, do Toni Tornado, da Leci Brandão e do Djavan
; uma sinalização turística pioneira no gênero,
em área tombada, composta de placas interpretativas que contam a História
de Palmares.
Para saber mais sobre o Parque, sugiro acessar o site : www.quilombodospalmares.org.br
6.
Você é uma pessoa sempre ligada à novas tecnologias.
Esse interesse foi revertido de alguma forma em benefício
do Parque?
De várias formas : esses pontos de áudio são uma inovação,
na forma como eles serão colocados no Parque bem como a utilização
de uma tecnologia de ponta na impressão de certos matérias presentes
na ambientação. O site também terá em breve a incorporação
de novos recursos disponíveis hoje na internet.
7. Depois de nossas belezas naturais, a Serra da Barriga
e sua importância histórica, seria nossa maior
atração turística?
A tendência mundial no turismo é aliar cultura e conhecimento à viagem
de lazer. Neste sentido, a Serra da Barriga é, sem dúvida, o
nosso maior diferencial.
Ela tem, inclusive, um apelo internacional muito forte, e acredito que, como
na Bahia, o turismo étnico crescerá muito nos próximos
anos em Alagoas.
8. O site www.quilombodospalmares.org.br, além
de de sua beleza estética é muito rico em informações.
Ele é um reflexo do projeto do Parque?
Sim ! E fico muito feliz que você tenha feito esse “link”!
A Ana Maria Soares e o Evandro Maia (ela no quesito informações,
ele no quesito estética) têm se empenhado muito em fazer do site
um espaço de referência para aprofundar certas informações
e discussões, apresentadas, de forma lúdica, no Parque.
9. O ex-governador Ronaldo Lessa foi quem mais prestigiou
a história de Zumbi nos últimos anos. Tem dedo
dele na idéia do Parque?
Desde quando era prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa foi um incentivador
de todas as iniciativas que valorizassem tanto as questões étnicas
quanto a história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares. Ao assumir o
Governo, ele ampliou e institucionalizou esses temas, criando a Secretaria
de Defesa e Proteção das Minorias tendo o Zezito Araujo como
o titular da pasta durante a maior parte da sua gestão e não
medindo esforços no sentido da viabilização do Memorial,
na Serra da Barriga.
10. Como a comunidade negra está vendo essa
realização?
Não acredito na unanimidade de nenhum projeto: criticas sempre surgem
e as considero saudáveis e até bem-vindas. Entretanto, de uma
forma geral, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares está sendo esperando
de forma muito positiva por parte dos religiosos de matriz africana, dos grupos
culturais de União dos Palmares e de Maceió, dos grupos de capoeira,
da Fundação Cultural Palmares e de varias lideranças do
Movimento Negro Brasileiro, como a realização de sonho de 20
anos.

11. Quais os planos para a cidade de União dos Palmares,
Serra da Barriga e para o Parque de agora adiante? Quais as responsabilidades
do Governo do Estado, Prefeitura de União e IMM a partir de
sua inauguração?
Entendemos que o Parque Memorial é um divisor de águas para União
dos Palmares e a Serra da Barriga. Entretanto, considero a sua finalização
apenas o primeiro passo para o desenvolvimento de novos projetos. Serão
necessárias ações nas mais diversas áreas, tanto
de capacitação/incentivos para novos empreendimentos e investimentos
assim como de melhorias da infra-estrutura da cidade como sinalização
e serviços públicos. A Fundação Cultural Palmares,
responsável pela Serra da Barriga e o Parque Memorial nela construído,
está fazendo todas as articulações no sentido de garantir
a continuidade e o desenvolvimento de novos projetos com o Governo do Estado
e a Prefeitura de União dos Palmares. O IMM apresentou um projeto para
aprovação na Lei Rouanet, no sentido de viabilizar uma série
de atividades culturais e pedagógicas com o objetivo de manter o Parque
vivo, independente do fluxo turístico. Serão vigílias,
vivências com diferentes grupos , batizados e oficinas de capoeira, visitas
de estudantes da rede publica. É um bem que pertence a todos e que,
com certeza, será um espaço de reflexão, de comemoração,
de aprendizado e de encantamento.
Por Keyler Simões
Postado
em 20/04/07
faleconosco@tudoalagoas.com.br
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