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Karina
Padilha – Dança nas Veias
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Um dos
grupos de dança mais representativos de Alagoas, apesar de recente,
com apenas oito anos de existência, tem na figura da coreógrafa
e dançarina, Karina Padilha, a referência para um trabalho
sério e dedicado. Karina começou com sete anos, na dança
com o Ballet Clássico, com Eliana Cavalcanti, e ficou até os
18 anos, quando participou dos Ballet iRis de Alagoas, mas sempre teve
paixão por outros ritmos latinos e folclóricos. Em Maceió não
havia tanta variedade, e ela tinha vontade de dançar um Flamenco,
tango. Quando se formou em Economia, surgiu a oportunidade de morar
na Inglaterra, em 1990, e de novo , como disse: “A dança
de novo bateu em minha porta”. Na época, inclusive, sofreu
preconceito por ter formação clássica e muitos
até duvidavam que fosse brasileira por ser tão branca. “E
eu dizia: Não, eu sou brasileira e sou nordestina, mas só lá eu
fui aprender a dançar ritmos brasileiros como samba e frevo”.
Trabalhou na Embaixada Brasileira, representando a cultura brasileira em eventos: “Pois
eu me apresentava com meu grupo, que era formado por artistas que se encaixavam
com o que eles precisavam para lá”.
“ Lá, o meu sentimento de amor pela minha terra, Alagoas e Viçosa,
cresceu muito e aprendi a não ter vergonha de dizer que era brasileira,
porque o preconceito lá era muito grande”.
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Morou
nove anos em Londres, quando se apresentou muito em uma casa brasileira,
chamada Viva Brasil que foi toda decorada com motivos brasileiros por
Alex Barbosa, eu era a única nordestina daquele grupo de brasileiros,
quando eu e Alex falamos em criar personagens para a gente, todos conheciam
Lampião, por exemplo, mas quando falamos no Guerreiros, eles
até duvidavam que era algo brasileiro, que, naquela época
era pouco conhecido, mas hoje acho que todos já conhecem”.
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Guia Ensaio - Nesse tempo em morou no exterior, você vivia
da dança ou era mais um hobby?
Karina Padilha - Eu vivia da dança. Eu fui para estudar, mas como tudo
lá era muito caro, tudo o que eu fazia era pensando na arte. No começo
foi difícil, pois fiquei 11 meses sem sequer ouvir música brasileira.
Depois. de eu trabalhar como um tipo de Relações Públicas
dessa casa, que era uma referência do Brasil em Londres, vieram e me
perguntaram se eu dançava e surgiu a oportunidade de participar do grupo
Viva Brasil, em que viajamos muito: África, Angola, Quênia, Etiópia, Ásia,
Malásia (Para o Rei da Malásia), Caribe, a convite do Ministro
da Cultura em Loondres, dançei até para a família Real,
não o príncipe Charles, mas para os Duques. Trabalhei com o Grupo
Kaoma, em Paris, quando eles investiram na carreira internacional do grupo.
Depois, mudamos o nome para Tribe (Tribo). Em seguida, tive um problema no
joelho, dançando frevo, e tinha de operar, mas fiquei com medo e passei
oito meses com o joelho imobilizado. Foi quando tive que voltar para o Brasil,
pois o meu irmão havia falecido e vim para prestar assistência à minha
família, e resolvi ficar por aqui mesmo.

Guia Ensaio - Foi quando você criou o Sururu & Cia?
Karina padilha - Na época, o nosso turismo já estabva em alta,
e, em Londres, nós nos apresentávamos de acordo com o que o contratante
queria: festa mexicana..., essas coisas. Então pensei em abrir uma casa
de eventos e continuar com minhas apresentações. Me juntei com
meu cunhado, Augusto Marques, e montamos a casa de Sururu & Cia, bem como
o grupo. Foi uma escola, pois depois virou um elefante branco, porque não
deu certo. Quando resolvemos fechar, foi como estivesse matando um filho. Quando
comuniquei ao pessoal do grupo que iríamos fechar e acabar com o grupo,
eles se juntaram e me chamaram para continuar, mantendo o nome, pois sempre
amei as coisas de Alagoas, e Sururu & Cia, quer dizer alimento, sustenta
as pessoas da lagoa, foi a primeira banda de Djavan, que eu adoro. E representa
muito bem nosso Estado. Na época até disseram para criar uma
escola, mas não tínhamos mercado para isso aqui, já estava
saturado. E com o grupo criamos uma história nova, própria, viajamos
o Estado com a nossa dança, mostrando nossa cultura.
Até me cobram muito para eu dançar, mas agora eu tenho de cuidar
mais dos bastidores, da burocracia, porque temos que nos organizar para crescermos,
e hoje eu trabalho com o Sormany, que cuida muito bem dessa parte artística.
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Guia Ensaio - A idéia era sempre trabalhar com ritmos
alagoanos?
Karina Padilha - Minha família e minha criação é de
Viçosa, sempre gostei do nosso folclore. O grupo existe há seis
anos e apresentamos vários tipos de dança, com restrição
a alguns tipos que eu não gosto e que não tem nada a ver com
a minha proposta profissional. Arriba Sururu foi nosso primeiro espetáculo.
Depois veio o Alagoas Sol e Mar e o Festejos e Folia. Hoje, estamos com Pé Direito,
em nossa nova fase com a participação do Sormany, com o guarda-roupa
todo montado. Será um espetáculo de 90 minutos, e tem a ver com
o pé, que tá ligado à dança e tem a ver também
com que tudo dê certo.
Do nosso jeito, nos apresentamos muito com o mesmo espetáculo, mais
vezes. Quem dança no Sururu, não paga para dançar, eles
se juntam a nós para isso. Temos jovens do Jacintinho (bairro da periferia
de Maceió), universitários, classe média... Temos a preocupação
de mostrar a dança pela dança. Não me proponho em vender
um produto distorcido, porque lá fora o preconceito é muito grande
e consegui contornar todos sos problemas com a dança, puramente. Os
eventos vão surgindo e temos a capacidade de não só apresentar
o nosso espetáculo do momento, mas também de nos adaptarmos ao
evento em si.
Estamos agora também trabalhando para gravarmos um DVD para divulgar
melhor o nosso trabalho.
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Guia
Ensaio - Como é o trabalho e convivência no grupo?
Karina Padilha - É uma grande família. Temos três coordenadores
que cuidam da seleção, quando precisamos de gente nova. Somos
em 16 dançarinos, sendo que temos duas duplas de gêmeos. É um
grupo muito unido e jovem, mas como muita capacidade e responsabilidade. Além
de dançarmos, fazemos um trabalho social com a dança, no interior
do Estado, e é muito bonito.

Guia
Ensaio - E como você ver a dança em Alagoas, atualmente?
Karina Padilha - A dança é uma arte muito solitária, na
hora de criar uma coreografia, por exemplo. É difícil trabalhar
com arte de uma forma em geral. Infelizmente, perdemos há alguns anos
o Ballet Iris de Alagoas, que era muito tradicional, onde eu começei.
Foi triste ver isso.
O que é preciso é juntar forças. Já começamos
a nos reunir no Fórum de Dança de Alagoas e acho que estamos
em um bom caminho. Acho que agora cansamos de sofrer sozinhos e estamos partilhando
essa dor para crescermos. O que falta em Alagoas é palco para a dança
e um calendário de arte para nos desenvolvermos e produzir mais. Eu
carrego comigo um pensamento importante para mim: Já que não
se vive de arte, que a arte da dança ajude a gente a viver.
Alagoas
terra de lagoas majestosas com frutos e uma terra fértil, e
uma fertilama que abriga nosso sururu, alimento de muitos, e força
de viver do nosso grupo - Lema do Grupo Sururu & Cia.
faleconosco@tudoalagoas.com.br
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