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Banca
de Revistas Zumbi: Boas Notícias para a cultura alagoana
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Existente
desde 2000, a Banca Zumbi é mais do que uma banca de revistas
em Maceió, é um grande referencial no que se refere à música
alagoana, pois é um dos poucos lugares onde se pode encontrar
CDs de artistas alagoanos.
Aldo Gomes tem 41 anos de idade e já trabalhou como técnico de
som, roadie etc, e teve contato com grandes artistas locais e nacionais. Quando
deixou esse lado técnico da música, enveredou-se pelas letras,
uma paixão, ao ponto de ter cursado até o quarto período
do Curso de História, pela Universidade Federal de Alagoas. Esse gosto
por literatura o levou a trabalhar com a escrita, através das bancas.
Maceioense, cresceu em Coqueiro Seco, além de já ter morado em
outros Estados.
Aldo é do tipo que veste a camisa da cultura alagoana, mas não
da boca pra fora, mas de forma ativa. Hoje, sua Banca Zumbi, é uma das
referências da cultura alagoana, pois lá se encontram aqueles
CDs independentes que não têm espaço nas lojas convencionais.
E o melhor, todos são de alagoanos.
Guia Ensaio - Quando você começou a vender CDs alagoanos?
Aldo - Já tinha essa idéia há muito tempo, antes
mesmo de ter essa banca. Quando abri a banca, pude realizar esse desejo,
de divulgar o músico alagoano, depois de dois anos da banca aberta.
Sempre via em outros Estados, a paixão pela sua cultura em primeiro
lugar, o que dá o sentimento de identidade do povo com sua terra.
Deveríamos beber mais da fonte de nossa cultura, não é à toa
que outros Estados e outros países vêm aqui, prestigiar e até “roubar” nossa
cultura. A massificação de cultura estrangeira é preocupante.
Essa preocupação me levou a abrir esse espaço em minha
banca... ainda vou fincar, literalmente, um mastro com a bandeira de Alagoas
aqui, para reforçar e externar esse meu sentimento pelo meu Estado,
esse meu orgulho e felicidade de ser alagoano.
Guia
Ensaio - Como foi feito o primeiro
contato
para venda de CDs?
Aldo
- Já conhecia os músicos e esse
mundo artísticos. Aí, por exemplo,
falei com o Máclein, Eliezer Setton,
Ibis Maceió, Junior Almeida e outros.
Eu fui falando com uns músicos, como
o Máclein em que eu comentei o que o
Lobão conseguiu ao vender seus Cds em
bancas de revista: vendeu 185 mil CDs,
aí eu propus ao Máclein, que tava
iniciando aquela idéia do selo Batuta.
Daí, vários outros músicos e bandas
começaram a trazer seus CDs, e o
próprio espaço na banca foi crescendo,
mas sempre com a música que não
encontra
espaço comercial de fato, no Estado. Pra mim, a música
produzida em alagoas é a melhor do mundo, apesar de existirem
outros locais com música boa, mas o meu Estado está sempre
em primeiro lugar, pra mim. Acho que o alagoano tem de conhecer mais
a sua cultura, e o meu sonho é que esse sentimento vá para
as escolas para as crianças.
Guia Ensaio - Qual o seu critério para vender um
CD?
Aldo - Por vivermos num mar de contracultura musical,
pois vejo que o brega,
axé, e estilos de massa como esses, não educam.
Não é preconceito, apenas tenho uma certa restrição
por esses estilos apelativos... apelos, inclusive sexual
e marginal, e sem educação cultural. Aqui se
encontra um bom samba, chorinho, um bom forró, rock,
MPB. Vendo aqui, toda essa diversidade da música alagoana,
que a cidade tem e as pessoas não conhecem e não
têm acesso.

Na
Banca Zumbi é possível encontrar com verdadeiros artistas
alagoanos,
como os mestres Verdelinho e Chau do Pife
Guia
Ensaio - Qual o perfil de quem vem aqui, no Centro de Maceió,
na Banca Zumbi, comprar CD de alagoano?
Aldo - Eu gostaria que fosse mais diversificado como da periferia,
dos bairros mais distantes, até tenho, mas tenho um público
formado mais de intelectuais, universitários, poetas escritores,
advogados, políticos, professor, jornalista, fotógrafo,
formadores de opinião em geral. Minha preocupação é que
nossa música chegue na periferia que fica refém
do rádio que só toca os estilos de massa, o lixo
cultural...
Guia Ensaio - Quanto do público vem aqui
comprar esses CDs e quanto vem para comprar jornal ou revista
e acaba levando um CD?
Aldo - Acho que fica em 50%, pois a banca já ficou conhecida como espaço,
também, de música alagoana. Mas existem casos, como que aconteceu
algumas vezes de uma pessoa comprar mais de R$ 150,00 em CDs alagoanos... aquilo
me deixou muito feliz, pois foram quase 15 CDs, de artistas alagoanos de uma
só vez, mostrando que a nossa música de verdade é comercial, é viável,
e que tem público para ela aqui, também. É só querer
para fazer. Eu gostaria que os artistas tivessem visto aquilo. Eu vendo em
média, de 25 a 30 CDs ao mês, e é gratificante. Também
vendo vinil, apesar de ser um pouco mais restrito.
Guia Ensaio - Qual o gênero tem mais saída?
Aldo - No forró, o Eliezer é imbatível. A aceitação
por ele é fantástica, em todas as classes. O Chau do Pife, no
início, também foi muito bem. Bem como o Carlos Moura e Basílio
Sé. No mais, é tudo muito equilibrado. Só em o artista
vir aqui, já me sinto feliz, pois sei que ele está na ativa.
Meu sonho é transformar minha banca e pôr 50 % do que é vendido
aqui, só de coisa alagoana, como CD e livro.
Guia Ensaio - Por conviver com jornais e revistas diariamente, como
você ver o espaço da cultura alagoana nos meios de comunicação
de Alagoas?
Aldo - Acho que cresceu um pouco, mas o que é feito pela Rádio
Educativa, que é do Estado, pra mim, é exemplar. Acho que a mídia
tem um papel importante para aumentar o orgulho do alagoano pela sua terra
e sua cultura.
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Na Banca Zumbi até o som ambiente é de Alagoas. Ora, é o
rádio sintonizado na Educativa FM, ou um cd-player com os últimos
lançamentos de Alagoas.
Os CDs são vendidos em consignação e o espaço da
Banca Zumbi está aberto para o artista alagoano.
Por tudo isso, Aldo conquistou o carinho e o respeito da classe artística,
pois lá não é só mais um ponto de divulgação
da cultura alagoana. É um local onde a nossa cultura é defendida
com orgulho e dinamismo. No dia 26 de agosto, o músico Naldinho fez
uma apresentação na Banca Zumbi, no final de tarde, além
de atrair um público razoável, os músicos da Orquestra
de Tambores, que ensaiavam, ali perto, no Cenarte, apareceram para também
dar uma canja.
Essa experiência deu tão certo que se repetirá, pelo menos,
toda terceira sexta-feira do mês.
Aldo é um bom exemplo do que se pode fazer com tão pouco, pela
cultura alagoana. Basta querer.
Banca Zumbi dos Palmares - Praça Zumbi dos Palmares - Centro de Maceió.
faleconosco@tudoalagoas.com.br
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