Terra Viva da Cultura

O ser humano tem por natureza o gosto de prestar homenagens aos mortos. Mania feia essa, não é!? Vira e mexe tem alguém que trabalhou em prol de alguma causa ou prestou serviços de relevante importância que é homenageado com nome de rua, praça ou com um evento ou música. Nunca se cantou tanto Luiz Gonzaga como após a sua morte. Jackson do Pandeiro, nem se fala. Até uma coletânea de bandas de rock pernambucanas foi lançada só com músicas de Jackson.
Não há mal nisso quando o motivo das homenagens póstumas é a legislação (no caso de ruas etc..) ou a falta de tempo, como Chico Science que morreu tão cedo num acidente automobilístico em pleno auge da carreira de músico.


Não é difícil encontrarmos notícias sobre alguma música ou evento que é dedicado a alguém importante na cultura de uma cidade ou estado, que faleceu. Mas em Alagoas vivemos um momento de extrema importância histórica e cultural. Temos os nossos maiores mestres de cultura popular muito bem vivos e ativos, à espera de merecidas homenagens e dispostos a participar delas não só através de fotos ou relatos, mas de corpo presente e "vivente". Nelson da Rabeca, Verdelinho, Benon, Dona Hilda, Mestra Virgínia, Venâncio, Edgar dos Oito Baixos, Hermeto Paschoal, Zé Cícero (dos pífanos), Chau do Pife, Tororó do Rojão, João do Pife, Mestre Pitiguari, Isaldino (Fandango), só para citar alguns, estão em plena atividade produzindo suas músicas, difundindo nossa cultura. Temos tantos artistas e grupos que de alguma forma se espelham nesses senhores e senhoras e que poderiam participar mais ativamente de suas vidas: Eliezer Setton, Junior Almeida, Dr. Charada, Poeira Nordestina, Xique Baratinho, Almir Medeiros, Ôxe, Poeira Nordestina, Máclein, Dona Maria, MAD, Wado, Basílio Sé, Deyves, Altair Pereira entre tantos outros. Porque não tomar a iniciativa e chamar um desses nossos mestres folclóricos para participar de uma música ou quem sabe de um CD.

Nossos vizinhos de Pernambuco sofrem hoje com essa ausência de seus mestres. Vamos aproveitar a oportunidade que temos. Fazer uma música falando de fulano ou sicrano qualquer um faz. Os artistas alagoanos têm a chance de dividir um palco ou um microfone com pessoas que são referência de cultura popular, não só para Alagoas como para muitas partes do Brasil, e um exemplo disso é o número de programas de várias redes de TV do Brasil que vêem à Alagoas para registrar as imagens de nossa cultura, que ao contrário de outros lugares, não se encontra somente em museus, bibliotecas ou em produções super -8, mas em cada esquina.

Nossa cultura é viva e temos que nos conscientizar que história não é só passado. Estamos vivendo um momento histórico de extensas possibilidades. Por quê beber água armazenada, se podemos beber a que ainda corre pelo rio?

 


 

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