CHAU DO PIFE – NINGUÉM ANDA SOZINHO

 

José Prudente de Almeida, recebeu o apelido de Chau, quando adolescente, no município de Boca da Mata, interior de Alagoas, e ao começar a tocar o pífano ou pife, foi “batizado” de Chau do Pife, que há 33 anos descobriu o amor pelo instrumento.
Com 48 anos de idade. Casado, há treze anos, com três filhos, vive exclusivamente da música. “Não sei fazer outra coisa”. Chau toca hoje em um pífano que ele mesmo faz, de alumínio com sete furos.
A forma como Chau conheceu o pífano é no mínimo, diferente. O pai de Chau era agricultor em Boca da Mata e plantava feijão, mandioca e milho, e foi para proteger a plantação de milho dos pássaros que atacavam logo cedinho, que seu pai lhe deu um pífano de quatro furos para que ele “apitasse” para espantá-los. “E eu tinha que apitar muito, porque se ele pegasse algum milho comido, eu apanhava”, explica Chau. Então seu pai, com o tempo percebeu o interesse que ele tinha pelo “pedaço de cano” que ele furava, a taboca, e deu ao pequeno Chau um pife de seis furos para tocar. E assim começou a história musical de Chau do Pife.
Sua primeira apresentação foi numa feira em Atalaia, com 14 anos. Ganhava dinheiro com essas apresentações e ficava umas quatro semanas sem ir cortar cana, “um serviço muito ruim”, diz.
Nessa época ele começou a ter contato com a bebida, um mal que o perseguiu durante anos e que o afastou dos palcos por algum tempo, mas graças aos amigos ele se tratou e parou de beber, ou como ele mesmo diz: “Foi Deus e os meus amigos que me ajudaram.. dou graças da bebida não ter “comido” a minha cabeça, senão eu não estaria aqui. Não aconselho a ninguém a beber ou fumar.. o vício acaba com a vida de qualquer um”. E isso há seis anos.
Em 1984 foi para Maceió sem conhecer ninguém, dormiu umas seis noites na Praça do Centenário. Veio com a cara e a coragem até conhecer músicos do Trio Catuaba, onde começou a tocar. No início, Chau tocava músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva... Nessa época, música era mais diversão, que ele dividia com outra paixão: o futebol. “Onde tem um estádio cheio.. eu tô lá... só não levo o pife junto porque a zuada é grande...”

Música própria, ele só começou a fazer há 16 anos, quando tocava na banda “Forró e Xodó”. Em 1993/94, Chau juntou pela primeira vez um trio composto por zabumba, triângulo e sanfona, para se apresentar num projeto realizado na chamada “Rua da Praia”, no centro de Maceió.
Hoje, os músicos que tocam com Chau são normalmente: Irineu (sanfona); Pardal/Xéxéu (Zabumba); Mocó (triângulo) e Geraldo (baixo). Pois é, Chau do Pife é acompanhado por um trio de forró e um baixo, instrumento que conheceu nos tempos da banda “Forró e Xodó”. “Para quem tá vendo um show, pode não perceber, mas para a gente que tá no palco, o baixo é muito importante para apoiar a gente na música”, explica.
Vivendo exclusivamente da música, Chau busca inspiração para suas composições no seu dia-a-dia, das coisas que ele vê, o que o ajuda a batizá-las, como “Memória dos Pássaros”, música que dá nome ao seu primeiro CD e que tem em sua experiência de espantar pássaros uma inspiração.

Ninguém Anda Sozinho - o CD

Em 04 de fevereiro deste ano, Chau do Pife, junto com Nelson da Rabeca, participou do show de lançamento dos seus respectivos CDs, pelo projeto Toques e Trocas, “Ninguém Anda Sozinho”, e “Segredo das Árvores”, no Sesc-Poço, em Maceió.
Ao gravar seu segundo CD “Ninguém Anda Sozinho”, Chau já estava mais seguro e determinado.
Há dois anos foi feito o primeiro contato entre o produtor Roberto Torres e Chau para compor o projeto Toques e Trocas que lançou CDs de vários artistas - Música Nordestina na Busca de Novos Caminhos e Diálogos, patrocinado pela Petrobrás, em 2003. A iniciativa abrangeu Bahia, Pernambuco e Alagoas. Em uma semana, Chau gravou as músicas deste CD no estúdio do Sesc, em Maceió, e tem músicas, além do próprio Chau, de Lupicínio Rodrigues, Dominguinhos e Gilberto Gil, Altemar Dutra, e a participação de Xameguinho, Ronalso Cirino e Van Silva.
A música que ele diz gostar mais nesse CD é “Casinha Branca”, que apesar de não ser de sua autoria (Altemar Dutra), é uma de suas preferidas.
O título “Ninguém anda sozinho” surgiu quando Chau andava à beira da lagoa Mundaú, lembrando-se dos amigos e viu que, por mais só que uma pessoa pareça estar, ela sempre terá seus amigos por perto, pelo menos é assim que Chau se sente, pois para ele ninguém anda sozinho. Alguém tem alguma dúvida disso?


“ Eu sou muito fraquinho para muita coisa... eu nasci de sete meses às 22h, quando deu meia-noite, minha mão se foi... choro muito como chorei quando lançei os meus discos... mas é um choro de amor e de força... de alegria.”


“ Chau do Pife não tem nada de mais e nem de menos que um
pedaço de carne de ser humano lutador... não quero ser Chau do
Pife sozinho, quero ser junto com o povo”.


faleconosco@tudoalagoas.com.br

 

MAIS CULTURA