Alagoas uma identidade em manifesto

Muito se fala da auto-estima do alagoano. Que ela é abalada constantemente com escândalos envolvendo membros de nossa sociedade ou política. O que acontece e o que aconteceu para que sejamos assim e será que somos assim,mesmo? Será que é isso? Que parcela do “povo alagoano” tem baixa auto-estima. A classe trabalhadora? Há quem discorde dessa tese. Temos um passado repleto de fatos confusos e inexplicáveis. Momentos de autoritarismo, perseguições e opressão imposta por uma minoria que detinha o poder político e econômico e que em sua maioria, vive hoje numa luta contra a decadência e por manter as aparências. Isso reflete na forma como vemos nossos verdadeiros heróis e nossos talentos que geralmente vêm de condições adversas e conquistam seu espaço, nem que seja por parte de todos, menos dos alagoanos. Talvez por isso, os mais “abastardos” não se interessem em valorizá-los. O assunto é instigante e complexo, mas constantemente estudado.
Edson Bezerra, antropólogo, sociólogo e músico, faz uma leitura da atual situação de identidade por que passa o estado de Alagoas. Autor do Manifesto Sururu que vem estimulando discussão sobre o assunto nesse início de século XXI, e que encontrou no poder público municipal, através de Marcial Lima e sua equipe da Fundação Municipal de Ação Cultural, um parceiro para trabalhar com entidades e movimentos negros para que juntos se estimule a recuperação de nossa história, entendendo os porquês de tanta injustiça para construirmos o estado que tanto queremos.


Edson, do que se trata sua tese de doutorado e o que ela tem a ver com a sua proposta da escrita do Manifesto Sururu?

O tema de nossa tese chama-se “Configurações em torno de uma Identidade Ornamental: a emergente Identidade Cultural Alagoana”. Trata-se de uma análise da reinvenção da identidade cultural alagoana durante os dois mandatos do governo de Ronaldo Lessa. Um dos movimentos da pesquisa foi realizarmos um levantamento da atual produção cultural alagoana, tentando esquadrinhar no somatório das representações, os fundamentos a partir dos quais, a emergência daquela identidade, poderia ser caracterizada de ornamental. E aí estão os dados do que está acontecendo no estado, está todo mundo vendo não é? A partir daí, tratava-se de apontarmos a emergência de uma outra identidade emergente, através das manifestações camadas das populações pobres dos bairros periféricos, com representações culturais do que passamos a denominar de uma escritura forte. Ou seja: de uma identidade construída a partir de um imaginário compartilhado pelos setores populares, de negros e pobres, em suma, os herdeiros da cultura banto.
Na verdade, o que se constata em Alagoas, é que a identidade que foi reinventada por Ronaldo Lessa, se tratava de uma identidade construída pelo alto, uma coisa palaciana e sem a participação e de uma ritualização partilhada com as culturas populares.
Já a escrita do Manifesto Sururu nasceu de uma forma despretensiosa. Ele foi escrito quando eu estava em Pernambuco e sob os fluxos da saudade e das leituras de Jorge de Lima, sobretudo Calunga e o Anjo, escritos no início dos anos 30 do século XX. Mas ele foi sendo construído à medida que começamos a compreender como nas representações das escritas dominantes sobre Alagoas os pobres estavam excluídos.
Então o texto do manifesto é devedor de muitas outras escritas sobre os pobres. Dentre muitos, ele é devedor da escrita de Sávio de Almeida, pois foi através de seu texto – Uma lembrança de Amor a Tia Marcelina – que tivemos o conhecimento sobre a coisa da violência do Quebra enquanto um acontecimento fundamental para o entendimento da exclusão dos pobres das representações dominantes. Mas também a construção do texto se deve a leitura de Dirceu Lindoso, ao grande e genial Dirceu, poeta, romancista, tradutor, ensaísta, antropólogo e historiador. Na verdade um escafandrista da cultura alagoana, pois Dirceu disseca a formação alagoana de uma forma barroca e visceral. Também uma outra leitura fundamental, foi a de Otávio Brandão com seus Canais e Lagoas, escrito na segunda década do século XX. È a partir de Canais e Lagoas que se delineia um imaginário lacustre enquanto um traço característico das Alagoas. A escrita do texto também é devedora dos pesquisadores da cultura alagoana, pois de Abelardo Duarte a Alfredo Brandão, fomos aprendendo um pouco.
Então se tratava da construção de um texto visceral e fomos buscar no Sururu a composição de uma mistura híbrida situada entre uma escrita metafórica e metonímica das coisas alagoanas, pois na verdade, o sururu sintetiza de uma forma ancestral a vivência e sobrevivência dos pobres e negros das Alagoas, pois, eu pergunto: o que tem a ver a coisa dos Marechais com a identidade dos pobres? A identidade cultural a partir da adoção dos marechais, a meu ver, tem a ver com a identidade das elites alagoanas, pois é uma representação neutra e por isso mesmo facilmente assimilável. Além disso, no meu entendimento, ela também abre espaço para uma mensagem subliminar da violência. Alagoas, Terra dos Marechais. Quer dizer: terra de cabra macho. Já a proposta do Manifesto Sururu é diferente, ela tem tudo a ver cm uma antropofagia das coisas alagoanas e falando em antropofagia alagoana, este é um processo que já há algum tempo está em andamento. Quem assistiu História Brasileira da Infâmia do Werner Sales e Calabar de Hermano Figueiredo pode ter uma idéia do que estamos falando. É preciso situar a coisa toda, pois na verdade o que está emergindo é todo um inconsciente político de fatos políticos e representações que estavam reprimidos e que estão em emergência. Em Julho, vai estrear um filme sobre o Quebra dirigido pelo antropólogo Siloé Amorim e então a coisa vai esquentar e a negrada vai chegar mais perto. E tem ainda a arqueologia do Scott lá da Ufal, um americano que está literalmente desenterrando as coisas alagoanas. Quer dizer, as coisas estão em emergência, o que falta é uma articulação situada.
Na verdade, os intelectuais, os formalistas, os que articulam um discurso e prática falam do Manifesto Antropofágico do Oswald de Andrade, como se a coisa não tivesse acontecido por aqui. Ora, a coisa aconteceu por aqui e as pessoas não atentam para a importância do fato na construção de um imaginário alagoano. Nossa, é preciso estar muito colonizado para não atentar para essas coisas. No fundo, é para isso que chama a atenção a coisa do manifesto: por uma antropofagia das coisas alagoanas e não vê, ou quem não quer ou quem não pode.

Quais foram as dificuldades em escrever a tese?

O desafio que se colocou foi entendermos o que estava acontecendo, e fomos então sendo levado a um mergulho nas violências primordiais de nossa formação histórica, a coisa do extermínio dos Caetés, as guerras de destruição quando da expulsão dos holandeses e as guerras de destruição de Palmares enquanto acontecimentos e heranças estruturantes e estruturais da cultura da violência enquanto um dos traços da cultura alagoana.


Edson Bezerra e Marcial Lima

E o que isso tem a ver com a coisa da baixo-estima do alagoano? Essa coisa existe mesmo?

A gente tem que rever essa coisa. Quem tem pouco auto-estima são as elites alagoanas. No geral - com raras exceções – elas são completamente desaculturadas para com as culturas locais. Diante de narrativas dos relatos e eventos históricos, podemos identificar que historicamente as elites alagoanas desenvolveram características mediante as quais, podemos afirmar serem elas violentas, excludentes e conservadoras.
Violentas no que se refere à defesa de seus privilégios e, neste particular, da posse da terra e ocupação de cargos políticos. Excludentes no que diz respeito à distribuição do produto social e, finalmente, conservadoras no que se refere à incorporação de valores e práticas avessas aos seus privilégios e visões de mundo. E quanto a esse aspecto conservador, quem quiser se aprofundar, basta ler sobre o inferno que foi a entrada e a consolidação do modernismo em Alagoas lá pela década de trinta do século passado. O Jorge de Lima era ridicularizado. Diziam: lá vem o louco e faziam até o sinal da cruz. Quem quiser entender melhor esta questão basta ler o Moacir Santana e o Tadeu Rocha. Está tudinho registrado lá.
Arriscamos então a hipótese de serem estas três, características atributos definidores de um ethos hegemônico dominante de uma elite alagoana. Todavia, além dos atributos acima identificados, se atentarmos para o consumo de bens culturais, podemos esquadrinhá-la ainda em três categorias. A primeira composta de uma seleta minoria de elevado padrão cultural historicamente alheia ao consumo e visibilidade no que se refere às culturas populares. Incluso nesta, os consumidores dos clássicos, os que freqüentam periodicamente os paises e museus do primeiro mundo e que dominam os códigos da alta cultura.
Já uma segunda minoria, ela mantém um elevado padrão cultural e além de consumidora dos produtos tradicionais dentro dos critérios de elevado padrão cultural (bons filmes, teatros, cinema, ballet, etc), diferencia-se da anterior pela incorporação valorativa das culturas populares. Compondo esta categoria, também os folcloristas e uma seleta minoria de artistas cujos temas e aspirações são construídos a partir de um imaginário voltado para as culturas populares alagoanas e ai você encontra o Celso Brandão, o Gustavo Quintela, o Lula Nogueira etc... E finalmente no que se refere ainda as elites, a especificidade de uma esmagadora maioria extremamente rica e poderosa, e que vai ter como uma de suas características um baixo nível de consumo cultural. Esta maioria é alheia às praticas e aos valores das culturas populares. Assim, folclore, cinema, teatro, quadros, etc. são artefatos as margens e alheios aos seus imaginários. É isso o que explica em parte a casa de Jorge de Lima e local onde foi rodado o primeiro filme em Alagoas, o Casamento é negócio? ainda se encontrar nos escombros. Também por ai é que se explica a falência de Jaraguá. As elites alagoanas não estão nem aí, pois as cabeças delas só pensam em tomar banho de mar e ganhar dinheiro
Integrando esta parcela, os membros dos grupos Nivaldo Jatobá, Olival Tenório, José Carlos Maranhão, de João e Carlos Lyra e também dos donos das grandes imobiliárias e os meios de comunicação. Em suma, os donos da terra e os que elegem o Legislativo e mantêm a permanência de seus currais eleitorais.
No entremeio, entre estas elites e a classe média - intelectuais, profissionais liberais, etc. - o grosso da população espalhada em diferentes topografias e espaços e em sua maioria composta por mestiços e pobres. Enfim, os moradores do que identificamos dos bairros periféricos os moradores do Jacintinho, do Dique-estrada, os moradores do Vergel do Lago e todos os tipos de grotões que se espalham pela cidade.
É neste contexto que deve ser situada a especificidade do que identificamos como o somatório de práticas que apontam para a configuração de um colonialismo cultural situado diante dos impasses e configurações da atual emergência de uma identidade cultural alagoana.
É isto o que explica por exemplo o fato de que um artista plástico do porte de um Delson Uchoa não venda quadros em Alagoas.
Defendemos a idéia de que tanto a ruptura para com o atual caráter ornamental da emergente identidade cultural alagoana, como também com as características violentas, excludentes e conservadoras de suas elites, está partindo de agências e das manifestações das culturas populares situadas nas margens das representações dominantes, estando neles – sobretudo nos negros e pobres - a possibilidade, estou falando das possibilidades - da construção de uma identidade cultural a partir do que estamos caracterizando de uma escritura forte.

Existe um momento histórico que determinou esse sentimento do alagoano em não valorizar o que é da terra?

Um momento exato não, pois se trata de uma construção lenta e que aos poucos foi se articulando como uma teia e nesta teia as pessoas foram ficando presas nas formações dos sentidos e das práticas sociais.

No Manifesto Sururu você fala do “Quebra de 1912” enquanto um acontecimento fundamental para entendermos Alagoas hoje. Como é isso??

Eu não tenho nenhuma dúvida do Quebra ter sido o acontecimento mais traumático da cultura alagoana. Ainda hoje nós sentimos as conseqüências disso. Veja você: somos herdeiros da cultura banto. Alagoas é a terra de Zumbi e nós não temos um carnaval de rua. Um absurdo, a cidade fica vazia e as pessoas – os negros sobretudo – vivem essa coisa passivamente como se fosse uma coisa natural.
Mas voltando ao Quebra. No princípio do século, quando as elites brasileiras estavam se europeirizando e adotando o carnaval europeu, a coisa do baile fechado, o entrudo, a folia de negros que daria origem ao carnaval de rua, estava proibido. Foi quando no princípio do século as elites pernambucanas, diante da exaustão dos carnavais dos brancos, o carnaval de baile, se abriu para as folias dos negros, e aí então a coisa explodiu. Enquanto isso por aqui, em 1912, em uma disputa de poder entre as elites, a violência sobrou para a negrada e foram quebrados entre trinta a cinqüenta terreiros. Ora, os terreiros de candomblé, sempre foram, além de espaços religiosos, lugar de recriação das culturas populares. O Pai Célio da Casa de Iemanjá, levanta a idéia de que possivelmente por aqui tínhamos mais Maracatus do que em Pernambuco devido a coisa do ruralismo de Maceió no início do século. Na verdade, mesmo sendo essa uma hipótese a ser investigada, existem indícios de que por aqui os Maracatus pipocavam no princípio do século XX. E essa coisa toda foi minguando e definhando.
Então é o seguinte: enquanto em Pernambuco as elites começavam a adotar as culturas populares, por aqui se estava a quebrar os terreiros. Dizem então que a Tia Marcelina, a escrava de origem africana e matriarca do Candomblé alagoano, depois de ter sido espancada por um soldado de polícia e estava a beira da morte, teria vacinado: “Maceió é um dia só, tudo que os políticos fizerem não vai dar certo”. E não se trata aqui de entender a coisa como uma maldição, mas sim do lugar de onde o enunciado estava sendo dito, pois se o Quebra pode ser situado no somatório dos eventos que derrubaria uma prática oligárquica – portanto anti-moderna – isso aconteceu ao preço de inaugurarmos em Alagoas uma modernidade sobre os escombros das culturas negras. Na verdade, a alma do povo alagoano.


Passeata em 2006 para lembrar o "Quebra de 1912"

E nesse contexto de exclusão, Alagoas tem situado a história do Quilombo e Zumbi dos Palmares?

Ai a gente tem que relativizar a coisa. Os negros sim. O pessoal da capoeira, os devotos do Candomblé e uma parcela da intelectualidade têm incorporado Zumbi e Palmares enquanto um espaço de recriação do imaginário alagoano. Mas Zumbi, assim como Graciliano Ramos, Jorge de Lima e tantos outros, somente começaram a ser valorizados pelas elites locais – e isso de uma forma meramente ornamental - depois de terem sido valorizados fora de Alagoas. É a coisa que já pontuamos: as elites locais são completamente desaculturadas para com as particularidades das coisas alagoanas. E a coisa se complica mais ainda quando constatamos a existência em Maceió de um verdadeiro apartheid simbólico: de um lado o lugar das moradas dos ricos – a Ponta Verde, o Stella Maris e os condomínios de luxo – e de outro, as moradas dos pobres – as beiras de lagoas, os bairros periféricos e os grotões. Nestes locais Zumbi tem sido reinventado nas rodas de capoeira. Então temos duas cidades que não se conhecem. É mais ou menos isso que colocamos no Manifesto quando colocamos:

A nossa Aristocracia com medo e nojo fugiu do barro - e fugiriam também da zoadas dos batuques, do coco e das macumbas e foram morar lá na banda das praias: Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. E naquelas praias há pouco desertas, no lugar dos casebres e casas de paus a pique, foram montados os edifícios e as luminárias elegantes da cidade.
E as águas do mar são diferentes das águas da lagoa.
A gente sururu então ficou sozinha.
Formou-se deste então, duas gentes: a gente sururu e o povo rico da cana.

Ai então eu pergunto: existe alguma estátua de Zumbi em alguma praça? Não. O que existe mesmo é um Z em frente a Secretaria Municipal de Finanças e mais nada. Em que contexto e que sentido teria de se erigir uma estátua de Zumbi na Ponta Verde? Nenhum não é?
E Graciliano Ramos, por onde se vê uma estátua dele? Até mesmo um busto que haviam colocado debaixo de um viaduto na avenida Leste-Oeste sumiu e ninguém viu e nem disse nada. Na reforma da Praça dos Martírios, a galeria Rosalvo Ribeiro simplesmente foi demolida e na imprensa não saiu nenhuma nota. Nem na falada, nem na escrita e nem na televisiva. Nada, silêncio total. Eu pelo menos não vi.


Serra da Barriga

As minorias, em Alagoas, são mais massacradas, do que no resto do país, a exemplo dos homosexuais, prostitutas (os), negros e mulheres?
Os negros sim, mas depende do que você está colocando enquanto minorias. Os gays, por exemplo, constituem um bom exemplo de articulação. Quanto a frágil organização dos movimentos sociais – pois se trata disso não? - a coisa dos negros, índios, movimentos de bairros, movimentos ecológicos, etc. muito se deve ao fato de que a esquerda alagoana, salve raras exceções, é uma esquerda também desaculturada para com as particularidades locais. Você já viu alguém da esquerda reinvindicar uma estátua do negro Zumbi em um logradouro público? Falta tanto a visão como a inserção das camadas pobres em uma prática transformadora.


Eliezer Setton, Bozo, Edson e Chico Elpídio

 

Além de Antrópologo e Sociólogo, você também é cantor e compositor. Como você vê a evolução do cenário musical alagoano desde a época dos Festivais universitários e do Grupo Terra?

Mudou tudo. Tem surgido toda uma geração de compositores geniais, Tem o Wado, o Jurandir Bozo e o Poeira Nordestina cantando as coisas lá do baixo São Francisco e o Xique Baratinho que tem feito uma mistura genial de rock, coco e embolada, e temos ainda da Orquestra de Tambores do Wilson Santos lá do bairro do Vergel do Lago, e isso sem falar de Mácleim Carneiro, de Junior Almeida, de Altair Pereira, do Deyves, de Sóstenes Lima, de Naldinho e do som do Victor Pirralho. E existem também muitas bandas como o Dona Maria, o Cambuca e temos ainda – algo novíssimo – a emergência do reggae que vem da periferia invadindo o centro. Acho que é pela primeira vez que uma manifestação negra vinda das margens invade o centro, e nesse processo o Luís Neto do Vibrações e o Ítalo John do Mensageiros de Jah têm sido figuras fundamentais nesse processo.
Então, você me pergunta uma evolução e eu acrescentaria não somente uma evolução mas uma ruptura, através da incorporação de novas tecnologias e uma percepção das coisas da terra. Então algumas coisas do que se está falando hoje de alagoanidade, o Grupo Terra já fazia há uns vinte anos atrás. Está aí o Eliezer Setton que não me deixa mentir.
De todo modo é bom lembrar que toda esta produção cultural vem se desenvolvendo tendo ao seu entorno a pulsação das culturas populares emergentes, das quais eu citaria pelo menos uma: os bumbas-meu-boi urbanos.



Edson Bezerra, dançarinas da Orquestra de Tambores e Bozo, da Poeira Nordestina


Que políticas públicas poderiam ser implementadas em Maceió e em Alagoas para desenvolvermos culturalmente nosso Estado?

Uma política pública para ser conseqüente tem que está atenta para a formação destes espaços de exclusões e de apartheids geográficos e simbólicos que permeiam e entrecruzam a cidade de Maceió de ponta a ponta. Sem isso não formaremos novos públicos e veremos (como temos visto) nos shows sempre as mesmas caras. São sempre os mesmos os que estão nos espetáculos. E tem a coisa do turismo alagoano, uma prática completamente disassociado das culturas locais e dos patrimônios alagoanos. Enquanto o Estado não intervir para reorientar essa coisa, a coisa não anda.
Serviço:
bezerra57@yahoo.com.br
No site de relacionamento Orkut, existe uma comunidade Manifesto Sururu, além do próprio manifesto está disponível em vários sites.

Postado em: 11/06/07

 

faleconosco@tudoalagoas.com.br

 

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