Simão

Tomando Pé, maturando as idéias e redefinindo conceitos
Depois de ficar anos afastado dos palcos e se dedicando a carreira de Luthie,
volta aos palcos alagoanos com a gravação do CD Herança

 

Cícero Arestides Simão nasceu em Rio Largo, foi registrado em Murici, morou por três anos em Fernão Velho, mas foi criado em Maceió. Simão, como é mais conhecido começou a tocar violão por considerá-lo "mágico" como relaxante. Começou a compor na década de 70, músicas sacras, já no final estava compondo música popular, começando assim a participar dos festivais, sempre tendo músicas selecionadas. Em 1986 parou de compor e se apresentar. Desde então, Simão é mais conhecido por confeccionar instrumentos musicais, móveis, e cases (protetores de instrumentos e equipamentos). No ano de 2002 a música O Brilho do Teu Olhar foi gravada no CD Retratos de Alagoas (Coletânea) do coro Embracanto. Agora, Simão prepara seu retorno com o CD "Herança", que será lançado no segundo semestre de 2007. Neste CD ele contará com participações especiais de músicos e cantores de várias gerações, dentre eles: Leureny, banda Cumbuca, Tião Marcolino etc... Simão é um dos exemplos de quem começou a compor e a tocar motivado pela realização de festivais de música competitivos onde cada um tinha sua torcida. Em 1984 abriu o show para o 14 Bis, no Projeto Pixinguinha. Inscreveu-se no último dia. "Naquela época o point era o Cine São Luiz. Eu tava lá e um amigo chamado Glauco, passou por lá e me perguntou se eu havia me inscrito e disse que as inscrições terminariam naquela tarde. Ele me puxou até o Teatro Deodoro e aí me inscrevi. Dias depois recebi um telegrama confirmando minha participação e fui selecionado para abrir para o 14 Bis com a banda Caramaiada que formada por: Baigon, no baixo; Zé Barros na guitarra e Tonho do Carmo na Bateria”.
O que te motiva a compor?
Principalmente a ansiedade. Antigamente eu remava contra a maré.
Perdi muitas oportunidades por causa disso e hoje eu vejo que temos
que agarrá-las sempre que possível.

Quantas composições você tem?
Olha, há 22 anos, atrás eu tinha 268. Mas nesse tempo todo,
muitas eu perdi. Recuperei trinta e poucas músicas daquela
é poca, pelo que eu lembro. E atualmente eu compus três
canções, uma delas em parceria com o grupo Cumbuca.
Música para mim tem que ter começo, meio e fim, além de
melodia, conteúdo, e ser fácil de cantar.

Porque voltar a compor e aos palcos?
A viagem que fizemos, graças ao Sebrae que me convidou,
para participar da Feira da Música de Fortaleza, em 2006,
pois conheci o pessoal do Cumbuca e reencontrei pessoas
como o Sóstenes Lima, que não o conhecia como músico.
O contato com todo aquele pessoal é que me motivou.
Logo depois da viagem para Fortaleza, a Jacqueliny Martins,
do Sebrae, passou a me enviar e-mails com informações
sobre o que rolava na cena cultural daqui, e num desses
e-mail tinham informações sobre o Palco Aberto.
Foi aí que me deu o start para gravar alguma coisa.
Não deu tempo para me inscrever no projeto, mas me
motivou a gravar.

Porque o nome do seu CD que será lançado esse
ano chama-se Herança?

É por causa de toda a minha história até hoje.
Tudo é fruto do que vivi e aprendi no início de minha
carreira como músico. São 12 músicas, sendo 11 antigas
e a Fracionata, que é recente. Muitas músicas receberam uma
nova roupagem. Gravaram comigo: No Baixo, Van Silva; Douglas
Marcolino no acordeon; Picapau, na guitarra; bateria, com Téo
Batera; Trompete do Edson; Casadinho, na percussão; Leureni,
Washinton Olibeira, Tião Marcolino e Ely Setton, além dos meninos do Cumbuca.


Visita do ministro da Cultura, Gilberto Gil, ao estande do
luthies alagoanos na Feira da Música em Fortaleza (CE).
Gil tocou e autografou um pandeirop produzido por Simão.

 

O Luthie
Tomando Pé, maturando as idéias e redefinindo conceitos - esse é o lema de Simão que ele adotou para explicar seu trabalho como Luthie. Simão iniciou-se nesse ofício quando um violão seu quebrou e ele não achou ninguém na época que o consertasse. Então ele decidiu consertá-lo sozinho. "Levei um ano para consertá-lo... porque não tinha nenhuma orientação, mas consertei".
Começou a confeccionar cases, há 12 anos, a pedido de um amigo, Alexandre, que tocava em trio elétrico e precisava de um case para sua pedaleira. Faz cases, móveis, instrumentos, além de dar consultoria em construção civil. É formado em Edificações. Chegou a cursar dois períodos de Arquitetura , mas abandonou.
Simão tem no ofício de Luthie uma forma de arte e oferecendo um trabalho mais pessoal do que o mercado está acostumado. "Vem todo tipo de músico aqui para eu fazer case (tipo de estojo para acondicionar instrumentos de todo tipo), mas geralmente vêm sempre com aquele papo de grana curta... o que é normal, pois o que eu percebi é que o músico que não vive de música é quem tem mais condições financeiras para mandar fazer um case mais elaborado. No geral, o músico profissional, prefere os bags (bolsas) para pôr os instrumentos, por ser mais leve e barato"..., explica Simão.
Além dos cases para instrumentos musicais, Simão tem como clientes, médicos, fotógrafos, engenheiros também confecciona móveis personalizados. Tem case do Simão em quase todo país e até no exterior.

Quanto tempo leva para fazer um case de violão, por exemplo?
Se eu encontrar todas as peças em Maceió, o que é raro, levo em média 4 dias.
Instrumentos cirúrgicos, fotográficos, etc...
Simão executa todas as etapas do serviço porque não acha quem tenha interesse em aprender e a trabalhar no ofício, por isso é uma profissão em extinção por causa das grandes marcas industriais. Para fazer cases para uma bateria simples custa em média R$ 1.500,00. Pandeiro, cavaquinho, bandolimo e violino, custa, cada em média, R$ 200,00. Violão, guitarra R$ 400,00 e baixo, R$ 450,00.
O que você acha do Guia Ensaio que está completando sete anos?
Eu estava em casa, por volta das 11 da noite e um táxi parou na frente de minha casa e o motorista me perguntou se era ali que morava o Simão. Quando confirmei, desceu um cara que disse que já há algum tempo queria fazer um case comigo, mas só depois de ler o Guia Ensaio é que me achou. Era uma galera do Clube do choro de Minas Gerais. Isso foi em 2000. O Guia Ensaio pra mim é o tipo de trabalho sem comparação no Brasil inteiro. Já me trouxe vários serviços. O cara de Minas me deu as especificações do violão e me deu um cheque no valor total para eu enviar para ele o case depois, e claro que essa confiança foi muito por causa do Guia, por que estava lá, publicado meu nome e dados.
Matéria publicada na Edição de Julho/2007, do Guia da Cultura Alagoana Ensaio.

 


Luthier - informações

Um luthier (também luteiro ou lutiê) é um profissional especializado na construção e no reparo de instrumentos de corda com caixa de ressonância, tal como a guitarra e violino, mas não daqueles dotados de teclado. O termo luteria designa a arte da construção de instrumentos. A denominação “luthier” tem sua origem no termo em francês para “fabricante de alaúde” que na verdade foi um instrumento musical de cordas trazido do oriente médio pelos cruzados e que era chamado em seu país de origem de “Ut”. No Brasil, o termo é utilizado genericamente, para os fabricantes de qualquer tipo de instrumento, seja de corda, arco, sopro ou percussão.

Postado em: 30/06/07

 


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