Fernando Perdigão


Há mais de 20 anos a Engenharia Agrícola perdeu um promissor profissional. Foi quando Fernando Perdigão, 49 anos de idade, decidiu largar a Faculdade para se dedicar a arte com produtos primitivos, que até hoje vem encantando o mundo e provocando sensíveis mudanças em comunidades carentes de Alagoas, num trabalho sério de geração de renda por meio do artesanato. Perdigão se diz realizado pelo fato de ensinar, e diz não ter o ego de artista plástico. “Minha arte é ensinar”, explica. Fernando Perdigão é uma dos maiores artistas de Alagoas e do Brasil, não só pelo seu talento mas pela sua proposta de ensinar técnicas artesanais à pessoas, que muitas vezes têm tudo na mão, mas não sabem disso. Fernando trabalha sem parar, com a ajuda de dois assistentes em seu ateliê montado em sua própria residência, no bairro da Ponta Verde.

 

 

Em 82 começou esse processo de contato com o artesanato tornando-se artista sem nenhum conhecimento prévio, ou seja, um auto-didata. Começou a trabalhar com o filé: “Olhei para ele como textura e não como uma trama folclórica, pois vi também uma viabilidade de mercado muito grande. Montei uma confecção e começei a criar coleções e a desenvolver tapeçaria e outros produtos feitos de filé, o que me inspirou e motivou a trabalhar com outros materiais como a taboa, dela fazemos sandálias, chaveiros, puffs... Estou reeditando a taboa.... com desenhos primitivos transformando, ao invés de tranças, esse design primitivo, para possibilitar que o artesão consiga gerar renda”, salienta.

No fim dos anos 80 desenvolveu trabalhos de capacitação em instituições como a FEBEM, Funabem e até com o UNICEF, tudo para superar a deficiência de políticas de geração de emprego e renda.

 

Em 1983, o estilista, produtor de moda e designer Fernando Perdigão criou o Projeto Maçaiok, desenvolvendo o artesanato mais típico de Alagoas, o filé, em parceria com a FEBEM, FUNABEM, FCBIA, SINE, PNQ, UNICEF. Em associações de caridade e comunidades menos favorecidas de Maceió e de municípios como Marechal Deodoro ( Ilha de Santa Rita e Massagueira ), Tanque Darca, São Sebastião, Feliz Deserto, Santa Luzia do Norte, Paripueira, Maragogi e outros.

 

 

Os produtos desenvolvidos atravessaram as fronteiras do Estado e passaram a participar dos mais importantes eventos de moda e decoração do eixo Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Estados Unidos e alguns países da Europa. Com destaque em publicações de revistas especializadas.

Pesquisando novos materiais, Fernando Perdigão passou a desenvolver outras técnicas artesanais, utilizando as fibras naturais da Taboa, Sisal, Paneiro, Igasso e atualmente a fibra da bananeira, já tendo capacitado mais de 1000 aprendizes em Alagoas, e desenvolvido mais de 500 produtos. Produzir, coreografar, mais de 300 desfiles de moda do circuito estadual.

 

 

 

Até hoje, foram produzidas mais de vinte mil peças por Fernando Perdigão, que já expôs em São Paulo, Rio de Janeiro e exterior. Os pedidos são tantos que ele não consegue dá conta. Trabalha com dois assistentes que aplicam o que aprenderam com Fernando, nas capacitações em comunidades, que possibilitam que os artesãos tornem-se sócios em suas criações, numa união do artesão com a mão-de-obra e matéria-prima.Frutaria, luminárias, cestos, sandálias, pufs, bolsas, almofadas, bandejas, tapetes, móveis, são alguns dos produtos confeccionados por Fernando Perdigão em parceria com artesãos locais, nas oficinas e cursos ministrados, que deram origem ao projeto dos Centros Educacionais do Trabalho Comunitário.


"Sou Designer de produtos utilitários e de decoração, desenvolvendo linhas artesanais. Produtor de moda e coreógrafo"

 



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