Achiles Escobar

 

A Arte com Educação e Conhecimento

Produzir arte é descobrir a cada dia algo novo. Novas misturas de estilos e gêneros, sem medo de errar, e determinado em seu trabalho, independente de sua área de atuação: música, artes plásticas, teatro, cinema etc.
Achiles Escobar é o tipo de artista que optou por trabalhar com a temática de cultura popular, mas consciente de seu papel como cidadão de Alagoas, apesar de ser Paranaense. Achiles veio para Maceió há 16 anos, com 20 anos de idade, e desde então trabalha com artes plásticas, mais especificamente com artesanato, a melhor forma encontrada por ele para difundir sua forma especial de atrelar a cultura popular, como o folclore às nuances de nosso dia-dia.
Ultimamente, Achiles ficou muito conhecido por seus broches feitos em forma de chapéus de Guerreiro, algo que de tão bom, acabou sendo copiado descaradamente por pseudo-artesãos, que entendem arte como cópia dos outros.
Além de seus broches, Achiles produz bordados em camisetas, pequenos bois de carnaval e desenvolve projetos em comunidades de Maceió e no interior do estado onde o artesanato é trabalhado com arte e como uma fonte de renda, apesar das dificuldades existentes para quem vive na área. “O artesão deveria fazer cursos sobre a história de Alagoas, ecologia, cultura popular, dentre outros, para atender melhor não só o turista, cada vez mais exigente e interessado pelas “coisas” da terra, mas como o próprio alagoano”, destacou Achiles.
Segundo Achiles, o turista que está vindo a Alagoas é aquele que vem com o “dinheiro contado”, por causa dos pacotes baratos que são vendidos pelas agências de turismo. “O turista, antigamente, vinha a Alagoas e conhecia a hospitalidade do alagoano, ficava encantado e voltava, hoje são todos tratados como mero negócio, ficam dois ou três dias, mal conhecem Maceió e cidades próximas ou também turísticas, através dos vidros dos ônibus de turismo. Desse jeito, ele não conhece o que devia conhecer: nossa cultura, realmente, e o nosso povo”.

 


Outra dificuldade verificada por Achiles é o fato de o comércio em Maceió não dispor de quantidade de matéria-prima para os artesãos: “Às vezes recebemos encomendas grandes e temos que comprar em Recife, Aracaju ou Caruaru. O problema aqui não é a qualidade, é a quantidade, e quando não é isso, é a falta de capital de giro”, que podia ser resolvido nas comunidades se nem todos quisessem fazer a mesma coisa. Se um não sabe tecer, vai cuidar da embalagem ou da distribuição. A divisão de trabalho facilita e otimiza o trabalho”.


A cultura popular é abordada por Achiles com um novo olhar artístico, valorizando-a sem descaracterizá-la, mas adequando ao nosso tempo, “pois só assim o público dá valor..., os jovens não querem mais dançar o Guerreiro ou o coco, por exemplo, porque vêm como o artista popular é maltratado”, diz o artesão.
O que é importante destacar no trabalho de Achiles é a total lucidez em seus projetos, coisa rara quando lidamos com o artista, em geral, pois ela consegue unir arte, trabalhos sociais e educação, como ele próprio diz: “O que precisamos é de educação com conhecimento. Não adianta preparar o artesão para atender o turista ou o alagoano, se ele sequer sabe a origem de seu trabalho ou a história de seu estado e sua cultura. Temos que preparar a mão-de-obra do artesão, conscientizo-o de sua importância e aumentando sua auto-estima”.
Achiles expõe seus trabalhos em diversos eventos culturais, no Museu Théo Brandão, em seu ateliê que fica localizado defronte ao Mercado de Jaraguá.


Contatos: ver no Guia Ensaio

faleconosco@tudoalagoas.com.br

 

MAIS ARTE ALAGOANA

M
AIS CULTURA