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Boitatá,
a Cobra de fogo
Ou Batatá, Baitatá, Biatatá, Bitatá, Batatal...
O nome é indígena e quer dizer "cobra de fogo".
E é justamente o que ela é. Contam que certa vez houve
uma grande enchente e todos os bichos morreram, menos a cobra.
Quando a água baixou, era tanta comida que ela até ficou
fresca: só queria comer os olhos dos bichos, porque eram mais
molinhos (é meio nojento, mas a lenda é assim).
Foi comendo tanto olho, tanto olho, que sua pele ficou transparente e
ela virou uma cobra de luz! Virou o Boitatá. Dizem que o Boitatá persegue
quem faz queimadas nas matas, e se você correr — babau!
Lá vai ela atrás.
Curupira, o Protetor dos bichos
É um anão, de cabelo vermelho, os pés virados para
trás e os calcanhares para a frente. Pode ser pequeno, mas é um
danado: ele protege as matas e os bichos dos caçadores, e é bem
mau com eles: faz esquecerem o caminho e ficarem perdidos da silva no
meio da floresta, bate neles, faz com que desapareçam... e como
tem os pés virados para trás, quando os caçadores
acham que ele está indo, ele está é voltando. Ou
será o contrário?
Lobisomem
Trata-se
de um homem que, em sexta-feira de lua cheia, transforma-se em lobo
(metade lobo, metade homem), uiva e corre em busca de uma vítima,
e só volta à sua forma original antes de amanhecer.
A lenda do lobisomem não é exclusiva do folclore brasileiro,
ela existe também no imaginário popular europeu.
Boto, o pai dos filhos sem pai
Filho que ninguém sabe de quem é, é filho do Boto. É o
que se diz no Norte do Brasil. O boto é um golfinho do rio Amazonas.
Ele é um Don Juan de lá: quando a noite cai, ele sai do
rio e vai para as festas paquerar as moças bonitas. E como não é bobo,
ele não vai na forma de boto, porque senão ia matar as
pobres moças do coração! Ele se transforma num rapaz
bonito, alto, forte, grande dançador e bebedor (adora uma cachaça).
Mas tudo tem seu prazo, e antes da madrugada ele tem de voltar para o
rio, porque senão ele vira boto de novo... fora da água.
Já viu que lá todo mundo desconfia dos moços bonitos
que aparecem sem aviso nas festas e saem antes do amanhecer... Pudera!
Saci-Pererê, o brincalhão
Esse você conhece do Sítio do Pica-pau Amarelo. É um
negrinho de uma perna só, com uma carapuça (gorro) vermelha
na cabeça, que lhe dá poderes mágicos.
É
muito esperto e adora fazer traquinagens. Uma das suas preferidas é dar
nó em crina de cavalo, depois de lhe dar uma canseira das boas,
fazendo o bicho correr a noite inteira. Ele gosta de aprontar com as
pessoas também: apaga o lampião, faz queimar a comida no
fogo, espanta quem viaja sozinho... É um levado da breca.
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Mula-sem-cabeça, a mulher
do padre
Diz a lenda que mulheres
que saem com padres viram mula-sem-cabeça
na noite de quinta para sexta-feira. Ela sai galopando por aí,
assombrando os pobres seres que cruzam seu caminho. Lança fogo
pelas narinas e pela boca.
Suas patas são de ferro, por isso ela pode galopar à vontade
sem gastar os cascos. Como se não bastasse, fica relinchando a
noite inteira e não deixa ninguém dormir. Para acabar o
feitiço, alguém tem de ter a coragem de ir até ela
e tirar o freio de ferro que ela leva nos dentes (dizem que ela não
tem cabeça, mas tem boca, dentes e narinas). Haja coragem de enfrentar
um bicho desses!
Gritador, o duende do vale de S. Francisco
Diz a lenda que o
Gritador, ou Zé-Capiongo, vive gritando dentro
da noite. Dizem que ele é a alma de um vaqueiro que desrespeitou
a Sexta-Feira da Paixão (quando os vaqueiros têm de ficar
quietinhos), saiu para campear seu gado e nunca mais voltou. Virou assombração.
Hoje vive gritando
no mato, campeando uma boiada invisível que
nem ele. O Gritador costuma gritar mais à noite, mas não
tem hora para infernizar os outros: dizem que até ao meio-dia
ele fica lá gritando no mato, assombrando quem passa, assustando
a bicharada.
E essas histórias entraram por uma porta, saíram
pela outra... e quem quiser que conte outra!
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No dia 22 de agosto de 1846, em Londres,
o arqueólogo
William John Thoms publicou um texto que levava o título de Folk-lore.
Nele, Thoms propunha o estudo das lendas, tradições e manifestações
artísticas populares, ao que chamou de Folk-lore que, na língua
inglesa, significam povo (folk) e sabedoria (lore) ou sabedoria do povo.
Mas a sugestão do arqueólogo só foi aceita mundialmente
em 1878 e, no Brasil, incorporada em 1965. A palavra, porém, foi adaptada
para o português, passando a ser escrita sem a letra k e sem o hífen,
isto é, folclore.
Mas, o que é mesmo
folclore?
São as crenças, lendas, tradições, danças,
mitos e costumes de um povo. O folclore é algo de grande importância
para um país porque, por meio dele, mantém-se a identidade
cultural, passada e vivenciada de geração a geração.
O folclore pode ser transmitido de várias formas: oral, escrita ou
encenada, ou seja, contando ou escrevendo histórias, dançando,
cantando ou representando. Todos os povos têm suas manifestações
folclóricas e o respeito a elas significa preservá-las para
que não desapareçam do imaginário popular.
O Brasil é riquíssimo nesse assunto, já que é formado
por grupos étnicos diversificados. Por isso mesmo, cada Estado apresenta
diferentes manifestações culturais.
A
mulher da capa preta
Carolinna Sampaio Marques - A Mulher da Capa Preta
Essa história
já foi notícia
no jornal, tem bloco de carnaval com o nome mulher-da-capa-preta. ,Existe
inclusive uma capa de cimento estendida em seu túmelo no Cemitério de Nossa
Senhora da Piedade, em Maceió.
Um jovem estava se divertindo em uma boite quando conheceu uma moça
muito bonita que dançou com ele e lhe deu um beijo. Quando foi levá-la
em casa, estava chovendo muito, e ele percebeu que ela estava muito gelada
e lhe emprestou a sua capa preta de motoqueiro pra
ela se aquecer. Acontece que ela insistiu em não ficar na porta de
casa e ele acabou deixando ela perto de um cemitério. Antes de ir
embora ela escreveu o endereço pra ele ir buscar a capa. No dia seguinte
ele bateu na porta do endereço dado e uma mulher atendeu. Ele contou
o ocorrido, mas quando falou no nome Carolina, a mulher foi grossa com ele
e disse que a brincadeira era de extremo mau gosto pois sua filha havia morrido
já há algum tempo. Diante da insistência dele, ela pediu
pra ele descrevê-la, e se surpreendeu quando as características
dadas batiam certinho com a foto que ela mostrou na parede (com flores ao
lado) da filha morta. Ele não acreditou, então ela o levou
pessoalmente ao túmulo da filha, onde estava a sua capa estendida
e o nome Carolinna Sampaio Marques com datas em algarismo romano e uma foto
da moça.
Eu sou a famosa Carolina ,
Com jeito de menina ,
Eu morri há dez anos atrás ...
Mas , até hoje corro atrás
...
De um inocente rapaz ...
Toda a sexta – feira ...
Em plena lua cheia ...
Eu invado uma festa especial ...
De um jeito fenomenal !
Depois , finjo ser uma viva mulher ...
E bailo com um rapaz qualquer !
No final da festa , este
moço belo
...
Acompanha-me até o
meu castelo !
Porém , no meio desta viagem ,
Repleta de uma obscura paisagem ,
Ele me oferece a sua capa preta ...
Para me proteger do frio xereta !
Então , eu entro na minha casa ...
Com a capa preta na minha asa !
No dia seguinte , ele vem na lata ,
Buscar a sua preciosa e quente capa !
Assim , ele descobre
que eu morri há dez anos atrás
...
E para se sentir seguro em paz ...
E desvendar este mistério ...
Ele vai ao cemitério
...
E vê que a sua capa preta ...
Não está na
sarjeta !
Pois , ela está no meu túmulo
branco ,
Intacta de um jeito franco !
Eu sou a Carolina ,
Com jeito de menina ,
Eu morri há dez anos atrás ...
Mas , até hoje corro atrás
..
De um inocente rapaz ...
Toda a sexta – feira ...
Em plena lua cheia ...
Eu invado uma festa especial ...
De um jeito fenomenal .
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