CULTURA POPULAR
FOLGUEDOS E DANÇAS


 

 

 


Manifestações Cantadas e
Dançadas das Alagoas

Alagoas é o Estado brasileiro que possui a maior diversificação em folguedos. Possuímos 14 folguedos natalinos, dois folguedos de festas religiosas, quatro folguedos carnavalescos com estrutura simples, dois torés e três danças, totalizando 29 folguedos e danças alagoanas.
O que diferencia o folguedo da dança é o sentido de representação, ausente na dança e presente nos folguedos, segundo o folclorista Roberto Câmara Benjamim.

As Danças


Alagoas possui três danças folclóricas espalhadas pelas diversas regiões do Estado. Das três, a mais significativa pela sua importância social e a presença quase sempre garantida nas festas populares é o Coco, conhecido também como samba ou pagode.

Dança de São Gonçalo

Dança ritual religiosa destinada a pagar promessa. De origem e aculturação portuguesa, foi inicialmente apresentada no interior dos templos católicos e religiosos. Depois foi proibida por seu caráter mundano. Compõe o grupo o mestre e o tocador de Dança ritual religiosa destinada a pagar promessa. De origem e aculturação portuguesa, foi inicialmente apresentada no interior dos templos católicos e religiosos. Depois contramestre e o tocador de meia-cuia, dois guias e os participantes dançadores.

Coco alagoano

Dança cantada, sendo acompanhada pela batida dos pés ou tropel. Também é denominada de pagode ou samba. Surge na época junina ou em outras ocasiões que se queira festejar acontecimentos importantes da comunidade. Tem origem africana, filiada ao batuque angola-conguense. Seus personagens são: o mestre ou tocador de coco que entoa as cantigas cujo refrão é respondido pelos cantadores.

Roda de adulto

As rodas de adulto de Alagoas correspondem às cirandas de outros Estados. Surgem intercaladas às danças de coco ou pagode e servem para animar e descansar os dançadores de coco. São originárias de danças rurais portuguesas e européias.
Fazemos uma ressalva a duas importantes manifestações cantadas e dançadas que são: a Quadrilha e a Banda de Pífano.
A primeira, de origem na aristocracia européia nos séculos XVIII e XIX que era a contradança (dança rural, já em vigor no século XVII).
A Banda de Pífano é muito importante pela sua presença nas festas populares de Alagoas e em alguns folguedos. Também conhecida como Esquenta Mulher, Carapeba, Quebra resguardo, Pata Choca, etc..., é um conjunto de três pifes de taboca, um bombo, um tambor, uma caixa e um par de pratos. Segundo a crença alagoana, ao som deste conjunto, as mulheres ficam esquentadas e fogosas.


Folguedos e Festas Religiosas


No calendário cultural do Estado existem as Festas de Santos Católicos. Além da parte religiosa têm quermesses, leilões, jogos de azar, bares etc. Há também a presença de folguedos do período natalino e carnavalesco.

Mané do Rosário

Grupo de pessoas mascaradas que dançam e requebram ao som de pífanos. Surgiu em 1762, durante a festa do Santo quando apareceram dois mascarados brincando e dançando na porta da igreja, o que se repetiu por 14 anos até sumirem. A comunidade copiou os trejeitos, e como não sabiam o nome da brincadeira, atribuíram o fato ao morador Manoel do Rosário, que gostava de dançar reisado e maracatu.

Bandos

Grupos de mascarados que fazem corridas pelo povoado anunciando, com antecedência a festa do Santo (Santa Luzia) que irá acontecer em breves dias, O grupo corre e dança ao som do Esquenta Mulher e participam da procissão e convocam o povo a participar da festa.

Pastoril

É o mais conhecido e difundido folguedo. É uma fragmentação do Presépio, sem os textos declamados e sem diálogos, constituídos apenas por jornadas soltas, canções e danças religiosas ou profanas de época e estilos variados. Como os Presépios, origina-se de autos portugueses antigos, guardando a estrutura dos Noéis de Provença, França.

Pastoril dos Estudantes

Influenciado pelos pastoris profanos de Pernambuco, como Pastoril do Faceta, originou-se dos antigos presépios religiosos. Chegou à Alagoas na zona norte do Estado na década de 30.

Maracatu

Dança e cortejo real, parte dos reinados dos congos. A palavra é de origem africana e significa dança ou batuque. O Maracatu pernambucano penetrou tão forte em Alagoas que criou formas locais, assim como o samba-de-matuto, as negras da costa, baianas e as caboclinhas.

Taieiras

Dança cortejo religiosa afro-brasileira que louva São Benedito e N. Senhora do Rosário, padroeiros dos pretos. De raiz africana, ligados aos reinados dos congos e estrutura na época da escravidão, seus principais personagens são: rei, rainha, mateu, catirina, crioula, figural e africanas.

Baianas

Grupos de dançadores com vestes de baianas, que dançam e fazem evoluções ao som de percussão. É uma adaptação rural dos maracatus de Pernambuco com elementos dos pastoris e dos cocos com denominação de Samba-de-Matuto ou Baianal. Não possui enredo certo. As baianas cantam marchas de entrada ou saída de sede, peças variadas e, por fim, a despedida.

Quilombo

Não existe ligação entre os Quilombos dos Palmares e o folguedo. É uma adaptação local de origem branca de danças brasileiras e européias que demonstram lutas. O auto é apresentado em barracas ou rancho de palha, enfeitado com bandeirinhas e realiza-se em três etapas. É acompanhado pelo som do Esquema Mulher (banda de pífano).

Cavalhada

Desfile, corrida de cavalos e jogos de argolinha, realizado em praças próximas às igrejas. Teve origem nos torneios medievais, tendo como participantes doze cavaleiros ou pares que são divididos em cordão azul e encarnado. Acontecem em quase todo estado e se apresentam no Natal ou festas de Santos.

FOLGUEDOS CARNAVALESCOS

Essas manifestações são resíduos de importantes folguedos natalinos alagoanos, em alguns casos havendo transposição direta como é o boi-de-carnaval, que foi extraído de entremeios dos guerreiros e dos reisados.
As músicas tocadas têm ritmo forte, contagiante, algumas são chamadas de “pancadas-motor”. As cantigas, algumas improvisadas e outras decoradas, são “tiradas” pelo mestre, sendo respondidas pelas baianas.

Boi de Carnaval

Boi feito com armação de madeira e coberto com tecido vistoso ou chitão. Sai às ruas durante os três dias de carnaval fazendo pedincha de dinheiro, de bebida ou vendendo boi. Sua origem é européia, africana e ameríndia. Os bois que surgem em Alagoas recebem influência dos bumbas, reisados e guerreiros.

Ursos de Carnaval (La Ursa)

Grupos de carnavalescos que saem às ruas brincando com urso feito de estopa e fibras vegetais. Sai de sede e dança de porta em porta fazendo pedincha de dinheiro, bebidas e gêneros alimentícios.

Os Gigantões (Bonecos)

Bonecas gigantes que possuem de dois a três metros de altura. Veste-se com tecido colorido de chitão. De origem européia são comuns em procissões e festas. A boneca é conduzida por uma homem localizado no seu interior. O cortejo é formado pelos tocadores e eventuais participantes.

Cobra Jararaca

Grupo constituído de dez a quinze pessoas que trajando shorts, lambuzam-se com tintas e pós e brincam durante o carnaval amarrados por uma corda. A brincadeira foi criada por um pescador chamado Mané do Balaio a muitos anos passados.

Toré de Índio

De aculturação indígena, os caboclos dançam em círculos. Fazendo movimentos coreográficos simples e ritmados para agradecer a agradar as divindades ou para rezar sua orações.

Toré de Xangô

De origem indígena, o toré é prática de terreiro afro-brasileiro. Corresponde ao catimbó e a pajelança de outros Estados. É a reunião dos crentes com finalidade de encontrar remédios para doentes, que são recebidos através dos cablocos que “baixam”e receitam ao som dos maracás. Com manifestação folclórica, comparável no sentido de apresentações, a um folguedo qualquer, um reisado,um guerreiro, etc.

Negras da Costa

Dança cortejo, sem enredo ou drama, formada por homens vestidos com trajes convencionais de baianas que dançam ao som de ganzás e reco-reco. São adaptações alagoanas dos maracatus pernambucanos, sem nenhuma ligação coma as religiões afro-brasileiras.

Samba-de-Matuto

Dança cortejo, sem enredo ou drama, na qual as cantigas dançadas fazem referência a Santos católicos, a espíritos das religiões afro-brasileiras e as cenas do cotidiano. Possui identificação com terreiros de Xangôs. Antes de cada apresentação o mestre acende três pontos de velas para que os orixás permitam o bom andamento do folguedo.

Caboclinhas

Dança cortejo, sem enredo ou drama semelhante aos baianais e samba-de-matuto. As personagens trajam-se como reisados e cantam fazendo referência a coboclas, temas do cotidiano e de amor acompanhados por bandas de pífanos. Não possui influência ou ligação com caboclinhos de Pernambuco.

 

 


Folguedos Natalinos

Reisado

Auto popular profano-religioso, formado por grupos de músicos, cantores e dançadores que vão de porta em porta, no período de 24 de dezembro a 06 de janeiro, anunciar a chegada do Messias, homenagear os três Reis Magos e fazer louvação aos donos das casas onde dançam. De origem portuguesa, sua principal característica é a farsa do boi que constitui um dos entremeios, onde ele dança, brinca, é morto e ressuscita.

 

Guerreiro

Grupo multicolorido de dançadores e cantadores, semelhantes aos Reisados, mas com maior número de figurantes e episódios, maior riqueza nos trajes e enfeites e maior beleza nas músicas. Surgiu em Alagoas entre os anos 1927 e 1929, sendo resultado da fusão de Reisados algoanos e do antigo e desaparecido Auto dos Caboclinhos, da Chegança e dos Pastoris. Possui em média 36 personagens entre rei, rainha, mestre, contramestre, palhaço, etc.

Boi alagoano

Auto popular de temática pastoril que tem na figura do boi o personagem principal. Aparece em todo o Brasil com nomes parecidos. Em Alagoas a apresentação do Bumba é semelhante a um teatro de revistas, com desfiles de bichos ao som de cantigas entoadas por cantadores do conjunto musical que faz o companhamento.


Chegança

Auto de temática marítima versando temas vinculados à vida no mar, às dificuldades como tempestade, contrabando, briga entre marujos e lutas entre cristãos e mouros infiéis, seguidores de Maomé. Deriva-se das “mouriscadas” peninsulares ou das lutas e danças entre cristãos e mouros da Europa. É de origem ou aculturação européia.


Fandango

Auto de assunto marítimo que corresponde a Marujada, Barca e a Nau Catarineta de outros Estados brasileiros. Não possui enredo ordenado e lógico. É apresentado em um barco construído em terra, com palanque, onde são entoadas cantigas náuticas de diversas épocas e origens. Possui nítida formação portuguesa.

Marujada

A Marujada que aparece em Alagoas possui elementos de folguedos náuticos, reisados, taieiras, pastoris etc. Por ser variante do Fandango, possui origem lusitana, juntando-se a outras culturas.

Presépio

Auto apresentado em três atos que versa sobre o nascimento de Jesus Cristo. Conhecido também como Pastoril Dramático, corresponde ao Auto das Pastorinhas de outros Estados. Origina-se dos antigos autos Portugueses que erm formados de dramatização medieval.

 

Escolas de samba

Histórico das escolas de samba:

Jangadeiros Alagoanos

A escola de samba Jangadeiros Alagoanos, do bairro da Pajuçara, esquenta a bateria, que é composta por 70 músicos e participa de mais um desfile de carnaval.

Fundada em 26 de julho de 1972, pelos pescadores da Colônia Z1, a escola já conquistou 11 títulos de campeã e seis de vice-campeã ao longo desses 35 anos.

O presidente da Nivaldo Santana, 66 anos, disse que é contra o local do desfile devido às questões de acesso e segurança, mas que a escola está preparada para competir e vai para avenida com cerca de 400 componentes, oito alas, muito brilho e animação.

Ele disse ainda, que o tema deste ano é “Sou verde, sou da Índia, sou de Alagoas, virei negócio da China. Quem sou? A doce cana de açucar”, e que promete vai agitar o público.

No comando das alegorias e fantasias está o experiente carnavalesco Neném Cabral, que faz segredo do figurino.

13 de maio

A escola de samba 13 de maio, do bairro do Jacintinho, foi fundada em 13 de maio de 1972 – daí o nome -, pelo pernambucano Manoel Joaquim do Nascimento (Seu índio), a escola, que é uma das mais antigas de Maceió, coleciona diversos títulos em 35 anos de existência.

A presidente da 13 de Maio, Sônia Maria, disse que é contra o local do desfile, mas que a escola está preparada para competir e vai para avenida com 280 componentes, oito alas, muito brilho e animação.

Ela disse ainda, que o tema deste ano é “Entre confetes e serpentinas nasce o amor de Pierrot e colombina”, numa alusão a duas figuras simbólicas do carnaval.

Arco-Iris

A escola de samba Arco-Iris, do bairro do Jacintinho, foi fundada em 29 de maio de 1994, e só conquistou um título de campeã (em 1999), nesses 12 anos de desfile.

O presidente da Arco-Iris, Ramos da Luz, disse que é contra o local do desfile devido as questões de acesso e segurança, mas que a escola está preparada para competir e vai para avenida com cerca de 400 componentes, oito alas e muitirreverência. Ele disse ainda, que o tema deste ano é “A magia do samba na cultura popular”, e que com isso vai sacudir o público na avenida.

Gaviões da Pajuçara

A escola de samba Gaviões da Pajuçara não perde o ritmo e vai para o desfile homenageando o folclore do Estado com o tema: “Ranilson França, folclorista alagoano”.

Fundada em 12 de maio de 2000 e com 700 componentes, a escola coleciona quatro títulos de campeã e um vice-campeonato em apenas sete anos de vida.
O presidente da Gaviões, Hílton Lopes (Prego), informou que a escola está preparada, e que vai pra avenida esse ano com um carnaval bonito com muito brilho.

Prego lembrou também, que o bloco Gaviões da Pajuçara, fundado por se pai, o Seu Netinho, em 1978, vai para avenida no domingo, com toda a força e a irreverência dos bonecos gigantes, que segundo ele, surgiram aqui em Maceió e tempo depois foram copiados em Olinda.

Diversidade

A diversidade dos folguedos identificados em Alagoas (mais de 30, sendo 27 deles catalogados) é decorrente da própria história e localização do Estado. Recebendo a influência da Bahia e de Pernambuco, o povo alagoano foi criando e recriando danças e jornadas, dando-lhes características próprias. O guerreiro, por exemplo, surgiu no final da década de 1920, em uma fusão de reisados alagoanos, do auto dos caboclinhos, da chegança e dos pastoris. É acompanhado por sanfona, tambor e pandeiro. Em sua própria composição, personagens que, à primeira vista, não teriam algo em comum: rei, rainha, embaixadores, general, Lira, índio Peri e seus vassalos, Mateus, palhaços, Catirina, sereia, estrela de ouro, estrela brilhante, estrela republicana, banda de lua e figuras. A influência dessas composições é, notadamente, européia.

“A cultura do dominante acaba sempre se sobressaindo”, destaca Ranilson França. Já para o professor Abelardo Duarte, que também pesquisou o assunto, a influência da cultura negra também é muito forte. De acordo com esta visão, ao chegar ao Nordeste brasileiro, as danças européias encontraram-se com raízes negras e indígenas e foram reinterpretadas. No caso dos maracatus pernambucanos, é inegável a influência afro-brasileira, de forma que chegaram a ser chamados também de candomblé de rua. Em Alagoas, essa manifestação ganhou outras formas, dando origem às cambindas, baianas, samba-de-matuto, negras da costa e caboclinhas.

A reinterpretação que deu origem à grande variedade de folguedos também está presente nas composições, que apesar de serem constantemente modificadas pelos mais de 150 grupos do Estado, são peças de domínio público. Partem freqüentemente de um tema popular, e devem ser apresentadas como tendo sido recolhida pelo mestre/mestra. “Nessa correria atrás do ouro que é a cultura popular, tem havido muita apropriação indevida”, denuncia Ranilson França. A autoria, o surgimento e a reinvenção podem até ser questionados, mas o fato é que a diversidade dos folguedos alagoanos e a criatividade de músicos e mestres que fazem da arte popular sua razão de existir ou sua fonte de inspiração, é mais uma prova da riqueza cultural brasileira. E ainda há muitos tesouros encobertos por aí, na cultura popular ou em qualquer outro lugar... tesouros que não precisam de rótulos para existir. Precisam de olhos, ouvidos, narizes: sentidos, enfim, que os observem e os percebam. Para que não virem peça de museu ou nomes de praças quando sua existência já pertencer a outros planos...



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