CULTURA POPULAR
FOLCLORISTAS


 

 

 


 

Aloysio Américo Galvão

Nasceu no dia 13 de abril de 1932, na cidade de São José da Lage, AL. Fez o primário na sua terra natal, o secundário no Seminário de Olinda – 1950 (PE), diplomando-se em Letras Neolatinas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alagoas (1956) e com licenciatura em Letras pela mesma faculdade. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Alagoas (1958). Por concurso, foi nomeado Professor Catedrático de Língua Portuguesa do Colégio Estadual de Alagoas (1961) e Professor Titular da Universidade Federal de Alagoas (1957). Diretor do Colégio Estadual de Alagoas (1963/71), Diretor de Educação do Estado, Membro do Conselho Estadual de Educação (1961/68), Diretor do Instituto de Letras e Artes (1970), Chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (1977), Coordenador do Curso de Letras (1978), membro do Conselho de Ensino e Pesquisa/do Conselho Universitário, Diretor do Centro de Ciências, Letras e Artes (1980), Coordenador de Extensão Cultural (1983) e membro do Conselho Estadual de Cultura (1983/86), quando se aposentou, Aloysio Américo Galvão tem diversos livros publicados e, na área de Folclore, os trabalhos Um auto popular – o Reisado (1969) e Linguagem popular (1970), além de artigos em revistas e jornais.

Altimar Pimentel

Nnasceu no dia 30 de outubro de 1936, na cidade de Maceió, AL, havendo exercido as seguintes funções: diretor do Teatro Santa Rosa (João Pessoa), diretor do Departamento de Extensão Cultural da Paraíba, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação de Cultura Popular da Paraíba, diretor da Rádio Correio da Paraíba, assessor cultural do Instituto Nacional do Livro (Rio de Janeiro), assessor cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da UFPB (1977-1979), assessor administrativo da Câmara dos Deputados (Brasília, 1980), membro do Conselho Estadual de Cultural da Paraíba (1963), secretário do Conselho Consultivo de Alto Nível do Instituto Nacional do Livro (Rio de Janeiro, 1969), redator da Coordenação do Ministério da Agricultura (Brasília, 1974), assessor de imprensa do Ministério da Agricultura (Brasília, 1975), assessor de divulgação de Imprensa e relações públicas da Câmara dos Deputados (Brasília, 1975), do jornal Correio Braziliense (Brasília, 1976), da Agência de Notícias dos Diários Associados (Brasília, 1976), do Jornal e da Rádio Correio da Paraíba (João Pessoa, 1970/76). Publicou, na área do Folclore, O coco praieiro (1968), O Diabo e outras entidades míticas no conto popular (1969), O mundo mágico de João Redondo (1971), Estórias da boca da noite (1976), Saruã, lenda de árvores e plantas do Brasil (1977), Barca da Paraíba (1978), Catálogo prévio do conto popular da Paraíba (1982), Estórias de Cabedelo (1990), Estórias de São João do Sabugi (1990), Incantion (Flórida, USA, 1990), Estórias do Diabo (1995), Estórias de Luzia Tereza (1995), Contos populares brasileiros – Paraíba (1996), Contos populares de Brasília (1998), Como nasce um cabra da peste (adaptação teatral do livro de igual título, de Mário Souto Maior, 1997). Autor de várias peças teatrais, Altimar Pimentel também publicou muitos ensaios e artigos na imprensa brasileira.

Artur Ramos

Artur Ramos nasceu no dia 7 de julho de 1903, na cidade de Pilar, hoje Manguaba, AL. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. Médico alienista do Hospital São João de Deus – Salvador (1927), médico legista do Instituto Nina Rodrigues – Salvador (1928), Artur Ramos, em 1934, exerceu as funções de chefe do Serviço de Orifrenia e Higiene Mental do Departamento de Educação. Foi livre-docente de Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da Bahia, professor de Psicologia Social da Universidade do Brasil, catedrático de Antropologia e Etnografia da Faculdade Nacional de Filosofia, dedicando-se ao estudo da Psicanálise. Pesquisou religiões e o folclore do negro. Fundou a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnografia, em 1941. Foi colaborador das mais importantes revistas especializadas brasileiras e estrangeiras. Algumas de suas obras, foram traduzidas para diversas línguas, por ser um dos maiores conhecedores e estudioso da africanologia. Era chefe do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO quando, no dia 31 de outubro de 1949, com apenas 46 anos de idade, vitimado de uma síncope cardíaca, faleceu em Paris. Além de famosos estudos na sua especialidade, Artur Ramos publicou Os horizontes míticos dos negros na Bahia (1932), O negro brasileiro (1934), Folclore negro do Brasil (1935), Introdução à antropologia brasileira (1948), A aculturação dos negros no Brasil (1942), Estudos de Folclore (1952).

José Maria Tenório

José Maria Tenório Rocha nasceu no dia 9 de janeiro de 1944, na cidade de Quebrangulo, AL. Professor secundário e da Universidade Federal de Alagoas (aposentado), Mestre em Antropologia, Doutorando em Artes Cênicas (Universidade de São Paulo), atualmente é professor da Universidade Tiradentes de Aracajú (SE), José Maria Tenório Rocha tem se dedicado as estudo e pesquisas na área do Folclore e publicado os seguintes trabalhos: Cordeiro Manso-grande poeta menor (1975), Sobrevivência da lúdica folclórica em Alagoas (1975), O mundo maravilhoso da literatura de cordel (1976), Mané do Rosário, folguedo alagoano (1978), Santos, beatos e fanáticos (1978), Cantoria de viola: magestosas e complicadas formas dos cantares nordestinos (1978), Folclore brasileiro: Alagoas (1978), Folguedos carnavalescos em Alagoas (1979), Folguedos carnavalescos de Alagoas (1979), Iniciação ao Folclore (1980), Iniciação ao Folclore (1980), O toré de xangô como folguedo folclórico (1981), Alimentação tradicional em Alagoas (1983), Folguedos e danças de Alagoas (1984), Arte/artesanato de Alagoas (1984), Aventuras, desventuras e vitórias de um folclorista chamado Pedro Teixeira (1985), O folclore em balanço, de como espezinhados e envolvidos continuaram cantando (1987), Théo Brandão, mestre do Folclore brasileiro (1988), Minha cartilha de folcore (1989), Repensando o Folclore nordestino (1990), Quebrangulo, Quebrangulo, sempre serás! (1996), além de outros trabalhos publicados em revistas internacionais.

Entrevista com José Maria por Paulo Lima:

“Eu creio que já é o momento, já está passando da hora de nós pensarmos numa cultura brasileira para verificar a potencialidade criativa do homem brasileiro”

Formado em História pela Universidade Federal de Alagoas e atualmente professor da UNIT, Zé Maria, como é conhecido no âmbito acadêmico, é um usina de idéias. Capaz de discutir sobre praticamente tudo numa velocidade desnorteante, esse alagoano de 58 anos, natural de Quebrângulo, tem uma nobre referência intelectual na família: é primo distante do escritor Graciliano Ramos. Morando há 3 anos e meio em Aracaju, Zé Maria falou para o Balaio de Notícias ao final de uma aula de História da Cultura e das Artes no Brasil, disciplina que ele ministra para os alunos do quarto período do curso de jornalismo. Convalescendo de uma gripe forte, que em nada tolheu sua habitual agilidade de idéias, Zé Maria discorreu sobre suas primeiras influências intelectuais, cultura brasileira, cultura das ruas e outros assuntos. Em seguida, a entrevista:

BN – O senhor parece transitar à vontade por áreas tão díspares como o jornalismo, a antropologia, o cinema, a história e a cultura brasileira. Como surgiram esses interesses?

José Maria Tenório – O fato de ter nascido numa cidade chamada Quebrângulo, uma cidade muito pobre, e o fato também em que pese ter nascido o maior nome da literatura brasileira, chamado Graciliano Ramos (ele era primo da minha avó), despertou em mim de conhecer primeiro Graciliano Ramos, estudar, porque ele era importante, estudar toda a obra dele, e depois passar a ver coisas interessantes. Eu queria ter uma explicação porque existia um homem chamado de Pedro Xumbrega. O Pedro Xumbrega era um homem que vivia soltando palavrões e tocando berimbau ou então marimbau de lata. Era um cara, um cego extraordinariamente maravilhoso. Eu dizia: o que tem a ver o Pedro Xumbrega com os palavrões que tem e com a musicalidade que ele tem? Tem uma mulher chamada Dona Aí - Dona Aí porque ela tinha um defeito físico e sempre dizia o seguinte: aííí... aííí... aííí... aííí... (cantarola). Era toda a fala dela, não mais do que isso. Então eu seguia muito Dona Aí. Era a minha vida lá em Quebrângulo seguindo esse povo todinho. Todo mundo sabia que eu não tinha a cabeça no lugar. Todo mundo sempre soube. Minha mãe, todo mundo. “Esse menino nasceu diferente de todos os outros”. Então foi assim. Minha vida de lá para cá (eu tenho meus 58 aninhos) tem sido uma luta para tentar entender essas coisas todas. Agora, o diabo é que eu gosto de muita coisa. Por que, se eu gostasse só de uma coisa era ótimo, porque, cada vez mais, eu ficava especializado. Mas eu gosto de mexer com muita coisa. Se você ver na minha bibliografia, tem estudos publicados sobre história de Alagoas, estudos publicados sobre cinema, estudos sobre literatura oral, música popular brasileira. É um pandemônio dos diabos... Quer dizer, é uma mistura muito grande. Tudo isso eu me apaixono. Quem manda as coisas serem boas? Eu gosto, me apaixono e ajo.

BN – O Brasil se afigura como um cenário multifacetado e pleno de contradições, tanto no aspecto cultural quanto no sócio-econômico. É possível pensar na existência de uma cultura brasileira que una e homogeneize tantas diferenças?

José Maria Tenório - Muita gente já começou através de certos aspectos da arte. Muita gente quer descobrir as raízes brasileiras a partir da pintura. Aí vem a pergunta: existe uma pintura brasileira? Ou então, existe uma música brasileira? Eu acho interessante, porque me parece até descabido desconhecer o papel criador do homem brasileiro. Nós temos cinco séculos, afinal de contas, né? Então quando é que nós vamos ser apenas pessoas que vamos xerocopiar, pensar as coisas que vêm da Europa e da América? Quando é que nós vamos ter esse papel de fazer? A cultura brasileira prova mesmo que nós tivemos vários criadores maravilhosos. Por exemplo, só para ficar dando o exemplo de um, de uma pessoa da casa. Quando você vê uma figura como Beto Pezão, aqui, que criou um tipo de escultura em barro, um modelo dele que ninguém no mundo pensou em fazer isso. Quer dizer, é uma coisa do Beto, apenas do Beto. Isso é uma coisa maravilhosa. Quer dizer, como não pensar agora em uma cultura brasileira, uma coisa criada aqui no próprio Brasil? Eu creio que já é o momento, já está passando da hora de nós pensarmos numa cultura brasileira para verificar a potencialidade criativa do homem brasileiro. Por exemplo, quando por acaso os brasileiros foram para a África, em 1963, no encontro de povos que estavam sendo descolonizados, eles levaram a capoeira Angola, que os angolanos não conheciam, levaram as religiões brasileiras, como o auto de Araketu, que eles lá não conheciam. Quer dizer então que o modelo, que veio de lá para cá, foi aqui absorvido e foi refeito, que lá os africanos ficaram assim (africanos de vários pontos da África): “Olha a capoeira Angola como é!” Por que? Porque lá acabou, então mudou de forma, e aqui ficou sendo continuado como uma forma brasileira...

BN - ... uma espécie de resistência...

José Maria Tenório - ... é, resistência cultural. Está na hora, mais do que passado da hora, de pensarmos numa cultura brasileira.

BN – O senhor costuma referir-se à cultura dos livros como “mofada”, em contrapartida a uma cultura genuína que estaria nas ruas, distante do foco da mídia e dos interesses dominantes. Qual é essa cultura das ruas?

José Maria Tenório - Tem um livro de José Ramos Tinhorão em que ele procura mostrar uma cultura viva que você pode descobrir na rua. Então, a pergunta seria essa: o que é Música Popular Brasileira? Você vai descobrir se é música popular brasileira quando você vai para a rua, você vê o povo cantando, tocando alguma coisa. Se o povo está tocando, você vê muita gente em muitos momentos cantando aquelas músicas, então você está diante da música popular brasileira. Não estou falando em barzinho, é o povo cantando nas ruas mesmo. Então eu quero dizer o seguinte: se o povo está cantando nas ruas, é porque ele selecionou. Então isso não tem nada a ver com a música do meu querido Hermeto Pascoal, não tem nada a ver com a música do Egberto Gismonti, que é um monstro que não faz música popular brasileira. Então, a coisa da rua é importante porque, inclusive, é uma coisa que é transmitida quase sem querer. As pessoas têm até um negócio que diz assim: com quem você aprendeu isso aí? “Eu aprendi na rua”. Quer dizer, a rua é também uma escola maravilhosa para ensinar as pessoas a mudança de comportamento. Que ótimo. Que venham mudanças.

BN – O Senhor é um escritor prolífico, escreve artigos, está sempre escrevendo. Fale-nos um pouco da sua produção intelectual.

José Maria Tenório – Ainda hoje eu estou cansado de ter produzido uma tese de doutorado sem faltar nenhum dia de aula. É um negócio que não se faz, mas eu fiz. Essa tese é sobre a ação de bandas de pífano e zabumba. É uma tese que eu ainda vou defender, possivelmente em novembro, lá na USP. Mas o livro publicado: eu tenho livro publicado sobre folguedos e danças em Alagoas. Um outro sobre arte e artesanato em Alagoas. Um outro sobre a questão de um poeta popular chamado Cordeiro Manso, que é assim: “Cordeiro Manso, o grande poeta menor”. E tem um outro sobre alimentação tradicional, e aí vai. Ao todo são três livros. E tem alguns artigos publicados, inclusive lá fora, que me deu muito prazer. O artigo publicado em Berlin, sobre banda de pífanos, que me deu a base da tese. Um outro publicado em Buenos Aires, sobre banda de pífanos também, que é trabalhando aquele publicado na Alemanha, e um outro publicado em Havana a respeito de... é uma crítica à chamada poesia matuta: “o movimento pau e poesia matuta”. Ultimamente eu fiz uma coisa que gostaria de ter quebrado o pau com os alunos, mas não se formou muito quebra pau, que é um pequeno artigo sobre o dom. Eu dizendo que o dom, como pregado pela Igreja Católica...

BN – ... artigo publicado no jornal alternativo Cala a Boca Já Morreu (publicado mensalmente por um grupo de alunos do curso de jornalismo)...

José Maria Tenório – É, o Cala a Boca... Então, eu procuro dizer se por acaso, como querem os católicos, se esse dom existe mesmo, se esse dom foi dado por Deus, esse Deus é muito perverso, porque ele dota umas pessoas com esse dom e outras não. Ele não dá um dom para as pessoas. Então, esse Deus está agindo muito errado. Eu esperava com isso... é um trabalho pequenininho... eu esperava com isso fazer um quebra pau com as pessoas que são tão católicas. Mas não houve essa percepção. Eu espero que um dia o pessoal abra os olhos para isso.

 


 

Ranilson França



O folclorista Ranilson França é natural da cidade de Chã Preta e aos 12 anos foi morar em Maceió, com o intuito de continuar seus estudos. Mas foi aos 18 anos que teve a oportunidade de se aprofundar nos estudos sobre o folclore alagoano. Foi nesse período que conheceu o padre Teófanes Augusto de Barros, seu maior incentivador. Ranilson foi discípulo de grandes folcloristas, Théo Brandão e Pedro Teixeira, e amigo de folcloristas como José Maria Tenório.

Ranilson, além de professor, era pesquisador e desempenhou várias atividades relacionadas ao folclore, entre elas foi presidente da Comissão Alagoana de Folclore e da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal), foi também membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, do Conselho Estadual de Cultura.

Não é somente no que se refere ao registro sonoro de CDs que (sobre)vive o folclore alagoano. O programa musical Balançando o Ganzá, na rádio Educativa FM, é uma iniciativa pioneira: criado em setembro de 1987, desde então vem sendo coordenado por Ranilson França, tendo como foco, claro, o folclore alagoano. As gravações com os grupos devem resultar em mais outro compact disc, a ser lançado em breve. Outra ação foi o reconhecimento dos mestres como patrimônio cultural por parte do governo do Estado. Mas pouco tem sido feito em relação à manutenção desse patrimônio: apenas nove deles recebem a ajuda mensal da Secretaria Estadual de Cultura, no valor de um salário mínimo, e ainda aguardam a construção de uma vila de casas as quais seriam doadas a eles. Na verdade, essas ações contribuem para a divulgação e maior conhecimento das manifestações folclóricas, mas, sozinhas, não são capazes – aliás, o que seria? – de manter os grupos em atividade. Também são eficazes em relação à aproximação da juventude, uma vez que, até pouco tempo, eles eram vistos apenas como coisas exóticas e distantes da realidade da população urbana, quando não ignorados.

Um dos principais projetos que busca botar novamente nas ruas os grupos folclóricos, assim como criar um público cativo de admiradores da cultura popular, é o Projeto Engenho de Folguedos. Mesmo sem incentivo governamental, o projeto leva todas as quintas-feiras, às 20h, no Museu Théo Brandão, no bairro do Jaraguá, em Maceió (local onde a Asfopal se reúne quinzenalmente) os mais diversos grupos de folguedos do Estado. A partir do momento em que a entidade ganhou mais credibilidade, mais pessoas e instituições resolveram apostar na viabilidade da iniciativa, que hoje tem o apoio da Universidade Federal de Alagoas e da Cooperativa dos Usineiros.

Promover a familiarização dos jovens estudantes com os grupos foi também a preocupação do projeto Folguedos nas Escolas. Como coordenador de ação cultural da Secretaria Executiva (estadual) de Educação de Alagoas, Ranilson sugeriu a contratação de mestres e mestras, assim como violeiros e flautistas, como agentes culturais. O trabalho que eles desempenham é, basicamente, passar seus conhecimentos para alunos da rede estadual. Até um tempo atrás eram 12 mestres, atuando em 12 escolas e no Núcleo de Expressões Artístico Culturais, localizado no maior complexo educacional do Estado, em Maceió. Entretanto, com a finalização do contrato, os mestres foram dispensados e estão no aguardo de uma nova convocação - que deve ser feita caso haja a aprovação do secretário de educação. Com dois anos de trabalho, os grupos para-folclóricos ou de projeção de folguedos, como são chamados, já somam mais de 10, e já se apresentaram ao público em diversas ocasiões. “Tem gente querendo chamar os grupos das escolas em detrimentos dos originais, mas este não é o papel deles. A função com a qual foram criados é didático-pedagógica”, explica o pesquisador e idealizador do projeto.

Além disso, vem crescendo o número de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Alagoas, cujo foco é esta temática, a exemplo do site guerreiros por natureza. Recentemente, dois ícones do folclore alagoano – Mestre Juvenal Leonardo e Mestre Venâncio, foram agraciados com a Comenda do Mérito Educativo, distribuída anualmente a 10 personalidades que contribuem para o avanço da educação no Estado. “São ações de reconhecimento, mas ainda passam longe da importância que eles têm para a nossa cultura”, acreditava Ranilson.

Nos últimos dias de vida esteve a frente da Coordenação de Ações Culturais da Secretaria Executiva de Educação e do Centro de Extensão, Publicidade, Artes e Folclore. “Apesar desta cidade contar com outros cidadãos da mais elevada estirpe, acredito ser esta uma justa homenagem a uma pessoa que tanto enalteceu nossa Capital”, disse Cícero Almeida. Faleceu em 14 de agosto de 2006.


Theotônio Vilela Brandão (Théo Brandão)


Dr. Teotônio Vilela Brandão
O médico Theotônio Vilela Brandão, mais conhecido por Théo Brandão, nasceu em Viçosa, município de Alagoas, no dia 20 de janeiro de 1907. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1929. A partir de 1937, passou a se dedicar ao folclore e, na condição de médico, começou a estudar os temas relacionados à medicina popular. Ele fazia suas pesquisas e colhia materiais e dados sobre crendices, superstições e remédios populares com as mães dos seus pequenos pacientes do ambulatório de Puericultura e Pediatria onde trabalhava. Também o ajudaram nas suas pesquisas os remédios caseiros de sua mãe e um primo, Sinfrônio Vilela, que chegou a exercer o ofício de curandeiro.

Em 1948, como Secretário Geral da Comissão Alagoana de Folclore, iniciou uma intensa colaboração semanal em suplementos literários de jornais de Alagoas, de Pernambuco e do Rio de Janeiro.

Em 1949, recebeu os prêmios Othon Lynch, da Academia Alagoana de Letras, pelo livro Folclore de Alagoas. Ainda em 1949, foi agraciado com o Prêmio Mário de Andrade, da Prefeitura de São Paulo, pela obra “O Reisado de Alagoas” e em 1950, recebeu outra vez o mesmo prêmio por “Os Pastoris de Alagoas”.

Em 1951 foi eleito para Academia Alagoana de Letras e, no mesmo ano, ao serem fundadas as Faculdades de Medicina e de Filosofia de Alagoas, ocupou as cátedras de Puericultura e Clínica da Infância, além de Antropologia e Etnografia.

Em janeiro de 1952, ainda como Secretário Geral da Comissão Alagoana de Folclore, é encarregado de preparar e executar a 4ª Semana de Folclore, congregando, em Maceió, folcloristas de todo o país.

Na Faculdade de Filosofia, exerceu o cargo de chefe do então Departamento de Geografia e História. Ao serem criados, em 1971, os Institutos Básicos, foi indicado para Diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

Durante sua direção, ampliaram-se os quadros docente e discente do IFCH, incorporando-se, em 1972, a Universidade Federal de Alagoas. Em 1975, doou à universidade sua coleção particular de objetos da cultura folk, acervo que se constituiu na célula inicial do Museu Théo Brandão. Faleceu no dia 29 de setembro de 1981, na cidade de Maceió.

Associando-se às homenagens que serão prestadas ao longo do ano ao ilustre esculápio e folclorista alagoano, a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – SOBRAMES, sob o comando do incansável médico Luiz Alberto Fernandes Soares instituiu, através de Resolução Doutrinária, o ano de 2007 como o “Ano do Folclore Nordestino”, reverenciando assim a figura de Theo Brandão, ele que foi um dos fundadores da SOBRAMES de Alagoas em 1977, onde exerceu as funções de vice-presidente por dois mandatos.

João Azevedo

João Azevedo nasceu no dia 20 de dezembro de 1945, na cidade de Maceió, AL. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pedagogo, professor de Língua Portuguesa, Sociologia e Filosofia da Educação, Planejamento Educacional, na Universidade Federal de Alagoas e em educandários de Maceió, ex-reitor da Universidade de Alagoas, primeiro diretor geral do Centro Educacional "Antônio Gomes de Barros", ex-diretor do Instituto de Educação, Ginásio Marechal Floriano Peixoto, Juvenópolis, Faculdade de Educação, primeiro diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFAL, ex-pró-reitor de Planejamento e vice-reitor da UFAL, ex-secretário do Ensino de 2° grau do MEC, um dos fundadores do Museu de Antropologia e Folclore Théo Brandão – UFAL, membro da Academia Alagoana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Comissão Alagoana de Folclore, colaborador de revistas, jornais e rádios de Alagoas, professor e advogado, Presidente do Instituto Tancredo Neves (AL), João Azevedo já publicou 31 trabalhos, entre os quais, na área de Folclore, A casa da alma do meu povo (1978).

José Aloísio Vilela

José Aloísio Vilela nasceu no dia 1 de setembro de 1903, na cidade de Viçosa, AL. Concluiu seus estudos preparatórios no Liceu Alagoano (1923), foi membro da Academia Alagoana de Letras (1969), do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (1974) e da Comissão Alagoana de Folclore, Supervisor do Núcleo de Tradições Populares Theó Brandão (1975), jornalista, folclorista, conferencista, José Aloísio Vilela publicou diversos livros e trabalhos na área de Folclore, entre os quais A poesia popular de Viçosa (1930), Folclore viçosense (1931), A religião e o Folclore (1935), Cantadores de coco (1938), Os autos do Natal (1938), O cangaceiro romântico (1938), O folclore de Alagoas (1974), A poesia dos cantadores (1974), A comunicação através do folclore (1976), O coco de Alagoas (1951/61), além de artigos na imprensa. Faleceu no dia 3 de setembro de 1976, na cidade de Arapiraca, AL.

José Lins do Rêgo

José Lins do Rêgo nasceu no dia 3 de junho de 1901, no Engenho Corredor, Pilar, PB. Estudou as primeiras letras no Instituto Nossa Senhora do Carmo – Itabaiana (PB), cursou o Colégio Diocesano Pio X – João Pessoa (PB), concluiu o curso de Bacharel de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de Recife, foi promotor público de Manhuaçu (MG), fiscal de bancos em Maceió (AL) onde escreveu Menino de Engenho (1932) – seu primeiro romance publicado às suas custas, porque foi rejeitado por várias editoras -, José Lins do Rego passou a morar no Rio de Janeiro onde exerceu as funções de fiscal do imposto de consumo, escrevendo os romances do ciclo da cana de açúcar (Doidinho – 1932, Bangué – 1934, O moleque Ricardo e Usina – 1935) seguidos de Pureza – 1936, Pedra bonita – 1938, Riacho doce – 1939, Água mãe – 1941, Fogo morto – 1943, Eurídice – 1947, Cangaceiros – 1953, nos quais o Folclore está presente, notadamente Histórias da velha Totonha – 1936. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, ganhou muitos prêmios e medalhas. Faleceu no dia 12 de setembro de 1957, na cidade do Rio de Janeiro, RJ.



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